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terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Ecologismo, biodiesel e soberania alimentar



Ecologismo, biodiesel e soberania alimentar

Antom Fente Parada

Intróito
Recentemente a irrupçom da biomasa e o biodiesel como fontes energéticas renováveis e, portanto, alternativas, tem gerado um fundo debate no seo das comunidades científicas e ecologistas de todo o planeta. Fronte ao dispilfarro energético e a apropriaçom duns poucos países da distribuiçom dos mesmos, suscitou-se a aposta por um modelo que partilhe sustentavilidade, progresso e respeito pola diversidade cultural, algo que se plasma nas tentativas de formular um ecologismo lingüístico e nom já apenas “biológico”[1].
Porém, que é a sustentavilidade? Um dos princípios que deve reger a formaçom dum modelo sustentável é a criaçom de empresas que permitam novas formas de obtir rendas e produzir novos empregos dentro do conceito irrenunciável de sustentavilidade, ou seja, procurar de facto soluçons nom só prò meio ambiente, senom prà humanidade. Lembremos que a perda da diversidade leva aparelhada freqüentemente o incremento da pobreza, algo especialmente palpável no terceiro mundo. Emporisso, a sustentavilidade nom caminha apenas numha direcçom senom que apresenta diversas ramificaçons:

1.- sustentavilidade social: ancorada no princípio de equidade a distribuiçom da renda e os meios de produçom desde pressupostos solidários.
2.- sustentavilidade ecológica: baseada na solidariedade co planeta, especialmente coa biosfera e os diversos ecossistemas.
3.- sustentavilidade económica: avaliada polo ponto primeiro e umha outra forma de organizaçom da vida material.
4.- sustentavilidade espacial: centrada nas relaçons internacionais e a distribuiçom populacional entre o rural e o urbano.
5.- sustentavilidade político-institucional: norteada desde a necessidade de criar conciência nas elites prò correcto desenvolvemento duns modos de produçom sustentáveis.
6.- sustentavilidade cultural: cujo eixo fundamental é o respeito à afirmaçom local e nacional por cima de artificiais fronteiras estatais e o corsé imposto pola globalizaçom.

Entom, actividades como a reciclage do lixo ou o reaproveitamento de produtos que causam problemas prò meio ambiente encardinam-se na vontade de gerar sustentavilidade ecológica, mas nom apenas, ao gerarem actividades e empregos pra grupos sociais tradicionalmente desfavorecidos se a questom se focaliza como é mester. Aliás, trabalhar nesta direcçom supom milhorar na educaçom ambiental dispensada, posto que inúmeras persoas contaminam mais que por má fé por simples ignoráncia. Os grupos sociais excluídos nom retornam à sociedade mediante medidas “populares” que primem unicamente as subvençons, senom que pra tornarem-se incluídos necessariamente comprem acçons práticas.

Soberania alimentar[2]

Os debates sobre a soberania alimentar conduzem-nos inevitavelmente as clássicas perguntas por que cada dia aumenta a fame no mundo?, os transgênicos som bons ou maus? e como mantir a diversidade cultural e o direito dos povos à autodeterminaçom em termos de produçom e consumo de alimentos? Daquela, a premissa desde a cal partir é que, efectivamente, um outro mundo é possível, como se véu defendo no Foro Social Mundial de Porto Alegre, onde o BNG tivo representaçom nas figuras de Camilo Nogueira e Xosé Manuel Beiras.
A soberania alimentar é o direito dos povos a definir as suas próprias políticas e estratégias sustentáveis de produçom, distribuiçom e consumo de alimentos em base a princípios que garantam o direito à alimentaçom e radiquem sobre todo na pequena e média produçom. Daquela, é indiscutível a defesa da diversidade dos modos de produçom e a defesa das múltiplas culturas com presença no planeta[3]. Porém, pra preservar o meio ambiente e valorizar as culturas locais é fundamental priorizar os mercados locais e regionais e, portanto, abordar umha reforma agrária radical baseada nom apenas em pressupostos de produtividade, senom que atinja ao irrenunciável direito humano à alimentaçom; por isso, os recursos genéticos som um bem de todos nós e resulta inaceitável o patentamento de seres vivos.
Torna-se nesta altura histórica completamente necessário agir pra que as vindicaçons e pontos de vista dos campesinhos, especialmente da mulher no rural, sejam tidos em conta, polo que globalizar a loita é globalizar a esperança. Fronte as vindicaçons de associaçons agrárias, progressistas e ecologistas estám as instituiçons que, mais que garantir, regulam a orde mundial imponhendo políticas agrícolas e alimentares responsáveis, directa ou indirectamente, das tragédias sociais e ambientais que a cotío palpamos, com especial incidência no terceiro mundo, quer dizer, já vai além dumha evidência o feito de que o livre mercado é incapaz de garantir a segurança alimentar dos povos, polo que se venhem propondo alternativas democráticas e de inclusom social que combatam o hogano denominado fundamentalismo neoliberal.
Amais, iste mesmo fundamentalismo neoliberal pretende impor os transgênicos, umha ameaça sem calibrar ao desconhecermos os seus efeitos sobre a saúde das persoas e sobre o meio natural, rejeitáveis polo simples feito de que as grandes multinacionais, ao apropriarem-se dos direitos sobre as sementes, feriram calquer princípio ético e impediram a soberania alimentar dos povos, sometendo-os a um novo tipo de servidume neocolonial.

Biodiesel, biomasa e outras falácias dos políticos neoliberais

«Hemos pedido un cambio de civilización, y nos ofrecen porcentajes de biodiesel», Jorge Riechmann.

Sobre os biocombustíveis latejam várias falácias como que verquem um balanço energético positivo, ajudam a fixar populaçom no rural, ou que as suas emissons teriam um efeito neutral (ao compensarem-se coa fotossíntese). Vejamos, pois, como aparar-nos perante cada um distes argumentos.
Em primeiro lugar, os diversos estudos realizados sobre a rendabilidade energética dos biocombustíveis variam surpreendentemente no seu resultado, quer dizer, que polo geral depende quem financie o estudo, como já acontecera cos feitos sobre o tabaco. Os resultados som positivos se se contabiliza a energia directamente empregada na produçom de etanol ou biodiesel, mas tornam-se negativos desde o momento que se contabiliza a energia indirectamente consumida, ou seja, incorporando a energia consumida na reparaçom de maquinária agrícola, o combustível fóssil que gasta esta maquinária, os transportes da matéria ou o combustível (novamente fóssil) que consomem as máquinas no processo de fermentaçom e estilado. Entom, iste tipo de alternativas só contribuem a incrementar numha porcentage moi pequena o rendimento do petróleo, inda cando nom tenhamos em conta os gastos energéticos indirectos e, portanto, nom conduzem a ningumha alternativa séria[4].
A segunda falácia é que a produçom de biocombustíveis resulta neutra prò meio ambiente. Só com argüir que na sua produçom intervenhem combustíveis fóssiles a questom semelha resolta, mas inda a podemos inçar com alguns dados dum estudo realizado por Patzek[5] no que assevera que pra gerar o 10% do consumo de combustível dos EUA a partir de etanol cumpririam 127 milhons de toneladas de CO2 e 22 milhons de hectáreas. Portanto, é ingénuo nom cavilar em que serám os países do terceiro mundo os que achegaram esta superfície em condiçons ruinosas prò seu desenvolvemento e prò seu meio ambiente.
Resta, por último, outra falácia que se tem esgrimido por vezes e que consiste em asseverar que esta maneira de gerar energia contribuiria à fixaçom de populaçom no rural. De todos é sabido que a agricultura moderna se caracteriza polo monocultivo, na Galiza o leite capitaliza a produçom das explotaçons, e, daquela, prima-se a sobrevivência duns poucos gandeiros proprietários das terras com assalariados e grandes superfícies como já acontece em EUA ou na França, quer dizer, a PAC da Uniom Europea é um aguilhom pra botar à gente do rural, só que na Galiza os gandeiros que ficam trabalhando as terras nom puidérom assumir os custos de compra das terras abandonadas polo desmesurado valor das fincas (froito grosso modo dum secular minifundismo e do apego à herdança) e polo endevedamento crónico das explotaçons ao nom apostar polo associacionismo na adquisiçom de maquinária e ao nom repartir o Estado espanhol a quota láctea de balde como aconteceu na França. Precisamente, contra iste abandono da superfície cultivada pretende operar o banco de terras que a Conselharia de Meio Rural vém de pôr em funcionamento.
Amais, estas explotaçons “especializadas” som vítimas da sua dependência da indústria, tanto à hora de dar saída ao produto (acordo entre os principais empórios lácteos) como à hora de mercar maquinária, forrages, herbicidas e fertilizantes, entom bate de cheo co desejo de construir umha agricultura socialmente justa e sustentável. Coa aposta polos monocultivos de cereais prà produçom de biodiesel inçará-se a dependência a respeito das empresas energéticas ao botar-se-lhe porriba tamém os seus interesses. Por outra banda, a produçom de biodiesel contribúe à degradaçom dos solos e cada litro de etanol consome até 37 litros de auga, polo que vendo as conseqüências que o cámbio climático tirá prà Península Ibérica fai-se totalmente desaconselhável a produçom de biodiesel pròs transportes e de biomasa prà energia, já que estas matérias seriam moito mais eficientes na produçom de compostage[6] que paliara a erosom e, já que logo, Galiza e o conjunto do Estado deveriam apostar polas energias renováveis, especialmente a solar e a eólica, que, paradoxalmente, fica relegada a um ínfimo plano nos orçamentos do Plan de Energía renovables e na Estrategia de ahorro y eficiencia energética en España do ministério de Meio Ambiente. No entanto, semelha que os ministros nom cavilárom em reduzir o gasto energético, pois o Estado espanhol está a cabeça de Europa.
A maiores, hai que sinalar que a produçom de biodiesel pra um veículo/ano e sete vezes superior a necessidade de gram pra alimentar a umha persoa, portanto, bate coas arelas de construir um outro mundo onde a soberania alimentar e a sustentavilidade sejam possíveis.
Resumindo, o ecologismo enfronta-se a reptos que devem ser solventados de inmediato e a cidadania tem que agir na construçom dum modelo sustentável de gestom dos recursos meio ambientais, longe da vorágine do livre mercado e de falácias devidamente “subvencionadas” por calados interesses económicos que, coma sempre, obtenhem os seus dividendos dos nossos petos. É supérfluo renunciar à compostage, que reduze a erosom do solo, o gasto em fertilizante e o impacto ambiental em geral, e resulta vital nom apostar pola biomasa cando inda nom se explotarom outras energias limpas como a eólica e, moi especialmente, a solar; mas é um fraude, umha farsa, ainda mais terrível a aposta decidida dos governos polo biodiesel... umhas gotinhas na mesma gasolina de sempre que nom paliará nem o cámbio climático nem a escasseza de combustíveis fóssiles.


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[1] Um dos moitos autores que apresentam umha vontade de multiculturalismo é David Crystal no seu libro A morte das línguas, verquido ao galego e publicado na editorial Galaxia com prólogo de Xesús Alonso Montero.
[2] Prà realizaçom diste apartado bebim, fundamentalmente, das conclusons do Fórum Mundial sobre Soberania Alimentar, que ocorreu n’A Havana no ano 2000.
[3] De nom agir aginha, por volta dum século desapareceriam o 90% das línguas, o maior genocídio cultural da história.
[4] Niste ponto o paradoxo resulta esperpéntico. Os estados incitam a adicar superfície agrícola a produzir energia, porém rejeitam investir orçamentos em reconverter sustentavelmente sistemas agrários pra milhorar a calidade dos alimentos, a saúde dos ecossistemas e o nível adquisitivo dos nossos labregos... latejam ou nom interesses económicos por cima da falácia meio ambiental?
[5] PIMENTEL, D. e T.W. PATZEK (2005): Natural resources research, p.50.
[6] No entanto, hai duas excepçons. Dumha banda os azeites vegetais usados, que é positivo reciclá-los e doutra banda o aproveitamento térmico de resíduos forestais em núcleos rurais próximos aos montes galegos, já que contribuiriam a sua gestom. Agora bem, nos restantes casos deve-se optar pola compostage e nom pola biomasa já que reduziria nom apenas a erosom do chao, senom tamém o emprego de fertilizantes químicos.

4 comentários:

Antom Fente Parada disse...

Bom, iste é o artigo extenso. Umha versom do mesmo poderá-se ler no voeceiro comarcal de Galiza Nova de próxima apariçom. Saúdos nacionalistas. Pra calquer comentário, seja cal for, redijide-os a galizanova_chantada@hotmail.com
O diálogo é umha das experiências mais satisfactórias e frutíferas nos tempos de surdos que correm.

Anónimo disse...

Mala época para hablar de ecologismo y energías renovables en Galicia.
Algunas de las reflexiones vertidas en este artículo están bien planteadas, pero otras resultan de todo punto alejadas de la realidad. Temas como el compostaje adquieren un tinte puramente político desde el momento en que no se considera la necesidad de un "mix" en el tratamiento de los residuos, tan necesario como la necesidad de la existencia de un "mix" energético. El compostaje no va a solucionar el problema de la erosión de los montes, por mucho que se afirme, incluso si se compostase el 100% de la materia orgánica de los residuos gallegos. Existen múltiples factores para que esto no sea así, empezando por el hecho de que la simple distribución de este material implica un coste (económico y en emisiones de CO2) que no hace viable esta opción ni económica ni, sobre todo, ambientalmente.
En el caso de la energía eólica, qué mas se puede decir del concurso eólico? La Consellería de Industria, gobernada por los nacionalistas, ha realizado un reparto totalmente arbitrario y contrario a los intereses del medio natural gallego, desastre del que puede que todavía se pueda salvar. resulta curioso que las habitualmente activas y vehementes asociaciones ambientalistas gallegas, y las juventudes nacionalistas, tan vinculadas a las anteriores, hagan "mutis por el foro", con excepción de alguna mínima intervención de carácter meramente estético. Las organizaciones ambientalistas o ecologistas gallegas han sido las más perjudicadas con todo este proceso hasta el momento, por el descrédito que ellas mismas se han ganado.
En cuando a la biomasa, se avecina un nuevo giro en la política nacionalista, por cuanto se ha convocado un concurso con menos repercusión mediática -suele ser proporcional a los millones de euros que se mueven- pero de igual calado ideológico. Se ha convocado un concurso para la promoción de plantas de biomasa que, si bien en los primeros tiempos de gestión nacionalista renegaba de la biomasa que no fuera residusl, en la última Orden publicada relacionada con este tema hablaba de "biomasa forestal" y no de biomasa forestal residual. Es decir, se abre la puerta al eucalipto y al pino no autóctono, como primer paso a los cultivos energéticos. Un postr difícil de digerir para el ecologismo gallego después de la difícil ingesta del concurso eólico.
Para muchos gallegos, sería muy importante el tener un referente ahora perdido, el poder identificar la defensa de los intereses de Galicia en el ámbito natural con unas organizaciones ambientalistas o ecologistas independientes, apartidistas, sin más política que la marcada por la defensa del medio natural y su preservación.
Lástima que, en estos momentos, no se a así. Esperemos que las consellerías nacionalistas no sigan la senda que parecen haber iniciado. Por el bien de Galicia.

O Garcia do Outeiro disse...

Nom serei eu o que faga umha defesa extrema do trabalho do BNG no concurso eólico. Fas algumhas consideraçons interessantes e semelha que tes maior informaçom do que eu sobre o tema. Tentarei informar-me melhor pois e estamos abertos a qualquer outra sugestom ou crítica que queiras fazer.

freefun0616 disse...

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