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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Apontamentos para umha história da imprensa em Chantada. Passado, presente e futuro

8-4-09

1900-1936

Deveriamos começar indicando a importáncia do agrarismo, movimento social e político que se desenvolveu entre os séculos XIX e XX para a melhora das condiçons de vida do agro e a redençom dos foros. O primeiro grande contacto com esta corrente dá-se, para a nossa comarca, em1908 com motivo da I Assembleia Agrária de celebrada em Monforte de Lemos.

Com a ditadura de Miguel Primo de Rivera chega a redençom foral em 1926, mas já por entom ficavam mui poucos foros vigentes, quer dizer, que se plasmou de iure o que já existia de facto, algo que esquecem hogano algumhas aproximaçons históricas superficiais. O agrarismo passará entom a artelhar-se arredor de sindicatos, que poderám ser católicos ou progressistas e que procuravam um pulo modernizador do agro e a melhora das condiçons de vida dos camponeses, isso si, enquanto o primeiro se conseguiu em parte (a venda de arados de ferro atingiu níveis durante a II República que nom recuperaria até a década de cinqüenta); o segundo apenas deu passos em positivo, por medidas lesivas do centralismo estatal para a gandeiria galega, por mor de tratados comerciais para a importaçom de vacum argentino e uruguaio em 1903 e 1934 respeitivamente, que figérom cair os preços do gado galego. Noutras palavras, que para Madrid o agro galego nom contava, tónica ainda hoje geral para o leite galego face o vinho castelhano e o azeite andaluz.

Perante o preto panorama, sem contrarrestar com a apariçom de avanços como a «ruiva galega» que equiparava mais a produçom de leite e carne, as sociedades agrícolas decidem optar entom pola criaçom de matadoiro em regime de cooperativa, processo truncado polo golpe militar fascista de 1936, com conseqüências funestas para o associacionismo agrário e com umha dura repressom para muitos sindicalistas, por citar um caso o sindicato agrário ligado à UGT de Santa Cruz de Viana, cujos membros temêrom pola sua vida em vista das razzias que membros de Falange Espanhola dos arredores exerciam na paróquia nos tempos das sacas indiscriminadas.

Entre 1913 e 1927 a Galiza contava com 99 jornais, quantidade exígua se olhamos que no Estado espanhol a cifra se elevava a 1980 jornais [Rodrigues Rivas, 2005: 109] e que em Portugal o número de publicaçons tamém era sensivelmente superior, a pesar do golpe militar de 1926 que trairia consigo despois o Salazarismo e o férreo controlo da imprensa no Estado luso [Pena Rodrigues, 1998: 19-40]. No entanto, isto nom deveria surpreender-nos se consideramos que os labregos eram a base social maioritária da naçom galega e que a populaçom rural e semirural superava 80% do total. Isto quer dizer que na Galiza predominavam, por esmagadora maioria, os iletrados e analfabetos, toda vez que a escolarizaçom universal nom chegaria até a década de 70 do passado século; se bem na II República a pedagogia e o ensino receberám um grande impulso com as propostas do kraussismo, na Galiza assumidas por arredistas e reintegracionistas como Joám Vicente Biquiera, em ligaçom com a Institución de Libre Enseñanza e Francisco Giner de los Rios.

Contodo, isto nom quere dizer que nom houvesse camponeses que souberam ler e, de facto, a enorme tirada e sucesso do semanário O tio Marcos da Portela, que nasce em 1876 da mao de Valentim Lamas Carvalhal, assi o testemunha. Outro exemplo semelhante é o êxito que colheita a obra O catecismo do labrego com umha tirada inaudita para umha obra na língua nacional até a apariçom de Memorias dun neno labrego de Neira Vilas, outro best-seller das nossas letras.

Parelha a I Assembleia Agrária nasce Faro-Miño (1908) primeira publicaçom da imprensa chantadina ao que seguirám El Centinela (1912) e El Regionalista (1922), todos numha época de auge da imprensa local e comarcal em toda a província de Lugo, já que «a prensa comarcal é un fenómeno senón exclusivo, polo menos si caracterizador da prensa galega neste período que se pode ampliar – como no caso de Mondoñedo á primeira metade do século» [Rodrigues Rivas, 2005: 109-111].

El Centinela aparece em 1912 como jornal agrárista e, em certa medida, oposto ao outro jornal da vila intitulado La Comarca, que se insire num panorama em que o jornalismo de empresa começa a consolidar-se, se bem a duraçom dos cabeçalhos ainda adoita ser breve e na Galiza o número de publicaçons fica por trás do resto do Estado, se bem entre 1890 e 1923 aparecem, segundo José Lopes Garcia, entre 20 e 30 novas publicaçons na nossa naçom [Rodrigues Rivas, 2005: 79]. A consolidaçom do jornalismo de empresa é tímida e nom vai além de consolidar e inçar a publicidade à vez que se incrementam as tirages e se vam profissionalizando os meios. De facto, apenas os cabeçalhos que aprofundárom nesta estratégia chegariam até hoje.

El Centinela (1912) editava-se na imprensa que levava o nome dum outro jornal lucense de carácter conservador: El Norte de Galicia. Esta imprensa duraria até 1923 se bem conheceria outra denominaçom quando o jornal anterior fecha e o substitui La Provincia. No tocante a El Regionalista (1923-1924), semanário chantadino do que falamos já antes, saia da imprensa de Gerardo Castro Montoia, quem iniciara as suas actividades em 1888 na Imprensa Católica para independizar-se logo ao mercar-lhe ao conhecido Soto Freire o seu talher em 1894. Da sua imprensa saírom semanários monolingües em galego como A Monteira (1889-1891) ou O Labrego (1891) [Rodrigues Rivas, 2005: 85].

Após a caída da ditadura de Primo de Rivera e a frustrada tentativa de voltar consolidar a monarquia parlamentar, primeiro com Berenguer e logo com o almirante Aznar, chega a II República e a liberdade de imprensa, embora com limitaçons, aumenta, ao menos até a vitória das direitas nas eleiçons de 1934. Em Chantada aparecerá Juventud. Órgano de la juventud republicana de Chantada, claramente antitético e oposto a La Voz del Agro e El Agro, cabeçalhos com os que polemizará.

Juventud nascera em 1928, a pesar da censura da ditadura, em forma de semanário de orientaçom republicana e La Voz del Agro aparece tamém nesse mesmo 1928, mas desaparecerá com a chegada da II República em 1931. Com estes títulos Chantada gozava de mui boa saúde no panorama galego, que contava com 97 cabeceiras durante a ditadura dum total de 165 que se publicavam [Rodrigues Rivas, 2005: 103]. No entanto, esta dualidade semelhava atingir já o máximo potencial da vila, com escassa viabilidade comercial de certo, e na II República viverám Juventud e El Agro, umha vez desaparecido La Voz del Agro.

1936-2009

Com a Guerra Civil espanhola o jornalismo descende ao averno e o totalitarismo fascista submete ao seu controle todo quanto é publicado, como indica Barreiro Fernandes «nunca sufriu Galicia unha prensa tan envilecida, tan mendaz, tan hipócrita, como a daqueles anos. Non só se perdeu o exercicio da liberdade, senón incluso o exercicio do sentido común e da dignidade» [Rodrigues Rivas, 2005: 160-1]. Este ermo acrescentará-se com o incêndio, quiçais provocado em represália por ser refúgio de golpistas denantes da Guerra Civil espanhola, em Setembro de 1951 do mosteiro de Samos onde se guardava a biblioteca do padre Feijoo, quem no século das luzes defendera a unidade do trono galego-português e a dignificaçom da nossa língua.

Porém, o nacional-catolicismo irá abrindo a mao e desde os sessenta, com a entrada dos tecnocratas, percebece-se um certo «aperturismo» no regime, que, no entanto, continuava sendo um regime genocida e totalitário. A pressom internacional e a fim da autarquia obrigarám ao regime a ir cedendo, máxime quando o turismo de praia se convertera numha alternativa à desastrada autarquia. Nom é difícil, entom, dar-se conta de que a maior informaçom maior oposiçom ao regime e em 1963 nasce o Tribunal de Orde Pública, que hoje recebe o nome de Audiênicia Nacional, encarregado de julgar os «delitos» políticos.

A situaçom é óptima entom para que ince um jornalismo crítico e de investigaçom, na clandestinade claro, ao tempo que se garantia o franquismo sem Franco com o ascenso de Carrero Blanco e o nomeamento de Joám Carlos como sucessor do «caudilho».

No mundo universitário, de onde sairiam os novos jornalistas e escritores mais críticos com o regime, a efervescência acada pontos álgidos, que tardariam anos em voltar-se produzir. A Universidade de Santiago adiantam-se em vários meses ao Maio do 68 francês, como conseqüência do maior número de intitulaçons, alunado e professorado. Três meses antes, desde Fevereiro, o estudantado subleva-se em massa e realiza encerramentos e ocupaçons durante dias:

«a facultate foi, daquela, escola de educación cívica e democrática, fragua de cidadáns libres e desalienados – cousa que sigo considerando consustancial co cerne da función universitaria como servizo educativo ao dispor da cidadania e a sociedade. E isso esprica que o novo plan de estudos elaborado a meiados dos setenta fóseo coa participación directa do estudantado no proceso e resultase metodoloxicamente vanguardista e estruturalmente precursor» [Beiras Torrado, 2008: 340-355].

Que tomem nota os inquisidores do Plano Bolonha mais de trinta anos após aqueles sucessos.

A conhecida coma «Lei Fraga» (a Ley de Prensa datava de 1938) supom a aplicaçom da censura a posteriori e nom a priori, o qual nom evitava seqüestros de publicaçons nem duríssimas represálias; para além de actos esperpenpéticos, coma o soneto de treze versos de Jesus Alonso Montero após a acçom da censura. Em resumo, que a suposta abertura que trairia fica controlada por artigos dessa mesma Ley de Prensa e Imprenta de 18 de marzo de 1966.

Dez anos antes, em 1956, aparece a televisom, que irá restando leitores à imprensa escrita (até chegar à gravíssima situaçom actual onde sei de cada dez galegos nom lem nunca, o que supom que 60% da nossa populaçom é analfabeta funcional), agá as revistas rosa ou do coraçom, já que as mulheres de classe meia-alta ganhavam em tempo livre ao contar com novos electrodomésticos e ter que ficar à espera do marido na casa (conforme ao ideal de mulher que o regime ditava) [Rodrigues Rivas, 2005: 181-182].

Contodo, as publicaçons receberám maior auge a partir de 1978, com a legislaçom emanada da Constituiçom desse ano, e em Lugo será El Progreso o cabeçalho de maior repercussom, com atençom tamém para a comarca de Chantada durante toda a II Restauraçom bourbónica e com umha presença testemunhal da nossa língua, como acontece tamém em La Voz de Galicia outro jornal que dedica umha secçom a «Terras de Lemos» em que se inclui a nossa comarca desde os oitenta; um jornal que começou sendo progressista e que hoje é pouco menos que o vozeiro do Partido Popular é o de maior tirada no conjunto da Galiza. De facto, o desejo dos grupos económicos de acadar o maior número de leitores, inçando assi o seu lucro, trai consigo que se reduzam o número de publicaçons e a pluralidade, o qual nom exclui que se tentem focar áreas locais para fazer mais atractivo o produto.

Assi as cousas, no tempo da INTERNET e a globalizaçom capitalista os meio de massas som apenas meios de controlo e a contra-informaçom fica ao dispor, na verdade, tam só duns poucos afortunados que disponham de INTERNET. Indica Ignácio Ramonet que a separaçom de poderes que predicava Montesquieu finou a favor do poder económico, o poder mediático e o poder político:

«Nos seus esquemas o poder político nom é máis que o terceiro poder, por diante atópase o poder económico e o poder mediático, e en canto se posúan estes, facerse co poder político non é máis que un simple trámite» [Beiras Torrado, 2008: 307].

Neste panorama é onde se dilucida à perfeiçom a decadência nom apenas dos jornais locais, mas tamém de publicaçons de qualquer outro tipo. Neste sentido a iniciativa de Televinte, no eido visual e monolingüe em galego, é umha grande notícia para a comarca, embora o seu futuro nom esteja em absoluto garantido. Outra publicaçom centrada em grande parte na nossa vila é En Común. Muito mais irregular, e quiçais sem perdurabilidade no tempo, é o fancinema Consenso, publicaçom bilingüe e de orientaçom literária e nom tanto informativa. Mais regular é desde logo a revista da Asociación de Empresarios de Chantada.

Com anterioridade a estas publicaçons tinham aparecido em Chantada outras. Concretamente, em 1992 aparece a publicaçom bilingüe e trimestral A Chantada e a tamém trimestral Alén-Parte. Revista de información e debate [Rodrigues Rivas, 2005: 222]. No eido da rádio contamos com a desconexom da SER para Radio Faro.

Finalmente, e como coda, sublinhar que a nossa comarca bota em falha um vozeiro parido polos movimentos sociais e o associacionismo que poda valer como eficaz meio de contra-informaçom e volte situar a Chantada entre as comarcas com publicaçons de seu, tanto melhor se for em galego na sua totalidade e contasse com umha ediçom digital e outra escrita. Porém isso supom madurecer o renascer da esquerda altermundista e socialista que ainda está agromando na nossa comarca e que deverá ir da mao da exigência colectiva da soberania nacional e a autodeterminaçom. Volver a afirmar o velho lema do Sexénio Revolucionário (1868-1874) em que se afirmava que o jornal é o livro do obreiro. Nós Sós!

Bibliografia

BEIRAS TORRADO, José Manuel (2008), Por unha Galiza liberada e novos ensaios, Espiral Maior, Culheredo.

PENA RODRIGUES, Alberto (1998), El gran aliado deFranco. Portugal y la Guerra Civil española: prensa, radio, cine y propaganda, Ediciós do Castro, Sada (A Crunha).

RODRIGUES RIVAS, Ana Maria (2005), O xornalismo en Galicia. Percorrido histórico pola prensa de Lugo, Galaxia, Vigo.

7 comentários:

Raíz Verde disse...

Enorme!
agrada ver como as veces as organizaçons politicas nom estám só para a galeria em busca do voto, senom para formar a gente e facer país (entendendo-se por esto ter umha populaçom crítica e nom umha massa de plastilina)

Noraboa por este trabalho tam ilustrativo e dos que nom se atopam muitos.

O Garcia do Outeiro disse...

PEna que isto nom seja mais habitual e que a maioria das organizaçons passem de fazer pedagogia social, como é o caso de Galiza Nova em muitos outros pontos... mas polo menos a nós fica-nos a satisfacçom de fazer o que podemos por mudar a situaçom do soberanismo galego.

Umha aperta irmandinha

Manel Vázquez disse...

Tamén che digo que para min e para moitos o alemparte aínda se mantén vivo aínda que inactivo e tamén che digo que hoxe é ben necesario outro alemparte que non dá aparecido. saúdos.

Manel Vázquez disse...

envioche tamén o enderezo electrónico do derradeiro número da revista, http://www.geocities.com/alemparteweb/ seguramente o coñezas pero non está demais revivilo de cando en vez.

O Garcia do Outeiro disse...

Nom desbotamos começar algum projecto cultural e literário na comarca, mas seria bom fazê-lo desde umha associaçom que impulsara tamém a criaçom dum CS. Seguimos, contodo, em contacto e quantos mais sejamos mais possibilidades hai de recuperar um projecto destas características em Chantada.

Umha aperta irmandinha

O Garcia do Outeiro disse...

P.D.: nom conhecia a web e pola minha idade e as minhas estadias fora da vila tampouco tivem contacto com a revista em ediçom papel. A web tem mui boa traça.

freefun0616 disse...

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