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quarta-feira, 3 de março de 2010

Entrevista a Carlos Taibo

Carlos Taibo, especialista em geo-política, escritor e novo sócio da AGAL


O professor Taibo tornou-se recentemente sócio da AGAL


Nova tirada de aqui


PGL - Carlos Taibo nasceu em Madrid, de pais galegos, onde é professor titular de Ciência Política e da Administração na Universidade Autónoma. Como foi o teu contato com a língua na distância?

CT - Na casa dos meus pais em Madrid a língua tinha uma presença carateristicamente diglóssica. Mesmo assim, pairava por ali. Além disso, não devo esquecer que eu passei muito tempo na Galiza, fundamentalmente nos verões. Com o passar dos anos, enfim, e já semi-adulto, o contato com o país muito teve que ver com o meu irmão Nacho.

PGL - Quais foram os teus primeiros contatos com a estratégia reintegracionista e quais os argumentos que te levaram a aderir a ela?

CT - Acho que como tantas outras pessoas um dia, há muitos anos, cheguei a conclusão de que era absurdo o isolacionismo geral postulado pelas diferentes instituições galegas. E isso foi assim em certa medida, naturalmente, pelo facto de ampliar sensivelmente, com o passar dos anos, o meu conhecimento relativo à lusofonia. Assim as coisas, os argumentos tinham uma dupla condição: se uns apontavam à identificação de problemas graves na inserção da Galiza no Estado espanhol, outros nasciam da consciência da existência de um espaço comum no mundo lusófono.

PGL - És autor de vários livros sobre a globalização. Em tua opinião, é possível uma variedade linguística existir socialmente se não tem a cobertura de um estado?

CT - É possível, sim. Não acho que a ausência de um estado seja um problema principal, ainda que, naturalmente, se uma comunidade política vive num estado em que os seus direitos mais elementares são violentados, resulta lógico que desenvolva o desejo de dispor de um estado próprio. Mesmo assim, devo confessar que sinto pouca simpatia pelos estados, instituições em que vejo sempre fórmulas autoritárias e imposições.

PGL - Que podemos aprender da Europa do leste relativamente à gestão da sua riqueza linguística?

CT - Nada particularmente estimulante. Muitos dos problemas que temos nós revelam-se também nesses países, com o agregado de encontrar-se estes numa visível idealização das mercadorias políticas e culturais que vêm do mundo ocidental.

PGL - Falando em estratégias e tácticas, qual achas que deviam ser os guias do movimento reintegracionista?

CT - Suponho que uma prioridade central e ter 'sentidinho'. A nossa tarefa principal deve ser a vinculada com uma pedagogia crítica que permita salientar as evidências. Em qualquer caso, o facto certo de a língua da Galiza estar em situação muito delicada não é argumento bastante para adiar a reivindicação da reintegração linguística e cultural com o mundo lusófono.

PGL - Que visão tinhas da AGAL, que te motivou a te associares e que esperas dela?

CT - Creio que a tarefa da AGAL tem sido durante anos heroica. Basta com olhar o listado das suas publicações para perceber que na Galiza existe, afortunadamente, uma cultura resistente que não é subvencionada.

PGL - No mês de março vai sair do prelo um livro de Carlos Taibo com o selo da Agal, Através editora. Será uma grande surpresa para as pessoas que seguem a tua trajetória, não achas?

CT - Talvez. Mas devo confessar que não escrevi o libro sobre Pessoa –isso é: um volume de ensaios sobre as vidas do poeta-- para surpreender ninguém. Era uma dívida pessoal que eu tinha com Pessoa e que, acho, ficou razoavelmente pagada.

PGL - Recentemente publicamos no PGL um artigo de Matias Escalero a respeito do Projeto Burela, um de cujos responsáveis é Bernardo Penabade. O professor Moreno Cabrera tem-se destacado pola sua defesa de um plurilinguismo real e em igualdade de condições no Reino de Espanha. São dous casos de cidadãos castelhanos a oferecer uma atitude diferente daquela que estamos habituados. São casos isolados ou está a haver uma pequena movimentação?

CT - São infelizmente casos isolados. Mesmo assim, cumpre fazer um esforço de pedagogia na certeza de que em Castela há muita gente capaz de compreender os problemas da 'periferia' peninsular.



Conhecendo Carlos Taibo




Um sítio web: www.decrecimiento.info

Um invento: a imprensa

Uma música: 'Os índios da meia praia', de Zeca Afonso

Um livro: 'A conquista do pão' de Kropotkin

Um facto histórico: as coletivizações libertárias durante a guerra civil em Espanha

Um prato na mesa: o arroz à cubana

Um desporto: o ciclismo

Um filme: 'Terra e liberdade', de Ken Loach

Uma maravilha: a vida

Além de galego: cidadão inquieto dum planeta que se vai

1 comentário:

O Garcia do Outeiro disse...

Esta nova tamém é muito interessante

http://www.kaosenlared.net/noticia/fascismo-espanol-renace-mediaticamente-campana-esto-solo-arreglamos-en