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terça-feira, 30 de setembro de 2008

Mcartismo ibérico




O 20 de Setembro clausurou-se em Mälmo (Suécia) o V Foro Social Europeu, em Dezembro terá lugar um Foro Social Galego (FSGal) em Compostela, em que entre outros representantes arredistas se topava José Manuel Beiras Torrado. Mais umha vez defendêrom a necessidade de construir umha outra Europa e indicárom que hogano a UE se topa num ponto morto do que só sairá através dumha democratizaçom real que passa por submeter a referendo o Tratado de Lisboa urbi et orbe e polo reconhecimento das minorias e das naçons assobalhadas. Tocante a isto último, defendeu-se o direito à autodeterminaçom dos povos como plebiscito democrático, traia consigo ou nom a independência, algo intolerável para o Estado espanhol em pleno apogeu da sua caça de bruxas coa que impede umha consulta popular desde e para Euzkadi e ilegaliza aos partidos políticos que nom aceitam “la Constitución” ou “la reglas del juego”, ou seja, que Espanha é confessional, ou se acredita na Constituiçom franquista de 1978 ou se vai à fogueira... como indicava Larra hai liberdade de expressom mentres se sonha. Vaites, vaites.

Beiras tamém assinalou a progressiva destruiçom das bases materiais e das estruturas económicas nacionais, especialmente em territórios ocupados como a Galiza, e advogou pola reconstruçom da ONU baseada nos de povo e naçom, utopia, que nom quimera, hoje inacadável mais necessária para albiscar a morte do neocolonialismo (neocolonialismo interior no Maciço galaico). Isto pola banda de Lestrove.

Pola banda de Laínho percebe-se umha forte treboada e mar de fundo com fortes marejadas. A recente ilegalizaçom de ANV e de EHAK (PCTV) nom augura soluçom algumha ao denominado conflito basco e, em palavras do conselheiro basco de Interior, Javier Balza, contribui unicamente para “acalar o liderato da esquerda abertxale” o qual “nom pode reconduzir a situaçom”.

De facto, estamos perante umha conculcaçom massiva dos direitos cívico-políticos mais elementares de milheiros de cidadaos em Euzkadi (os representantes do PCTV obtivérom 150000 sufrágios em Ajuria Enea, umha broma como se di por aqui). Por outra banda tira-se a pedra e alimenta-se com políticas mcartistas de perseguiçom e encarceramento de representantes políticos e de gestoras pro-amnistia (como Askatasuna), pola outra agocha-se a mao e clama-se com indignaçom polo cesse definitivo da loita armada de ETA e mesmo se estuda encarcerar a De Juana Chaos por duas palavras: “Aurrera bolie”, o que cumpre ouvir por nom estar surdo... Como alguém pode ser condenado a vários anos de cadeia polo simples facto de escrever duas palavras? Ainda bom que nom podem ler-nos os pensamentos...

Em minha opiniom, descabeçar, perseguir, ilegalizar e encarcerar som verbos que alimentam, nom enfraquecem, o ódio, o rancor e o enconamento das posturas. O exemplo irlandês é ignorado polo mediocre politiqueio espanholista, mas é evidente que sem o Seinn Fein jamais se “reconduziria” ao IRA e que sem a esquerda abertxale, mais de 20% da sociedade basca, nom pode haver saídas nem paz. A esquerda abertxale tem que convencer a Euzkadi ta Askatasuna (Euzkadi E Liberdade) que matar inocentes nom convence à sociedade basca dos objectivos políticos abertxales, perfeitamente legítimos, e que só se pode loitar contra as forças vivas do inimigo, nom contra civis e inocentes. Aliás, o tiranicídio nom muda as condiçons objectivas que geram a tirania e só a desobediência e a rebeliom massiva, através da acçom social e da conscienciaçom, permitem enxergar vieiros para derrotar ao espanholismo, do contrário cai-se na linha das forças de ocupaçom, só que co indubitável e cada dia mais próximo sabor da derrota: “Nada étam estúpido como vencer. A verdadeira glória está em convencer” como dizia Vítor Hugo.

Aliás, nom podem existir condiçons para a negociaçom quando sistematicamente o nacionalismo espanhol, mais forte ca nunca aventuraria-me a dizer, trata de terrorista a qualquer um dos colectivos arredistas de Euzkadi, Catalunya e Galiza e quando nega umha e outra vez o direito à autodeterminaçom dos povos seguindo o princípio goebbelsiano de que as “verdades” se constroem a por de repetir umha e outra vez a mesma mentira.

A impostura, o recorte de liberdades e a debilitaçom das garantias democráticas tem atingido hoje um nível só equiparável aos quarenta anos de nacionalismo íntegrista e fundamentalista do franquismo e ao terrorismo de estado dos GAL, a Tripla A e o Batalhom basco-espanhol. A Lei Antiterrorista e a sacralizaçom da Constituiçom, como se os textos jurídicos fossem eternos e emanados por Iavhé ao povo espanhol nos Montes de Toledo, em Covadonga ou na M-30, sinaís da mitologia burguesa de Espanha... piares ao serviço da ditadura das maiorias sodomizadas. Os meia espanhóis desenham a “censura do consenso” lançando-a através da contínua tematizaçom sobre os perigos do “nacionalismo” basco e catalám enquanto calam o seu e geram um estado de opiniom favorável aos seus pérfidos interesses de classe (neoliberalismo, venda de sectores estatais estratégicos a capital foráneo, recorte dos direitos dos trabalhadores...) e aos seus abusos e atropelos (debilita-se a democracia, desaparece a autonomia do poder judicial, suprime-se a liberdade de expressom e incrementa-se a pressom e a exploraçom sobre das naçons ocupadas coa centralizaçom salvage do Estado, ameaçando incluso a Portugal).

O imperialismo espanholista nom deixa de prostituir as palavras democracia e liberdade: constringe a primeira a um sistema ternista PSOE-PP controlados polos interesses do grande capital e atafega a seguna, especialmente nas “nacionalidades históricas”, co mcartismo ou o desprezo e a ocultaçom. A vontade dos povos catalám, basco, aragonês, asturiano e galego sempre fica supeditada aos ditados da classe dirigente espanhola, nem tam sequer ao povo espanhol, se existe como tal para além da mitologia imperialista e burguesa parida das Cortes de Cádis em 1812 e imposta polo Estado liberal, a educaçom e os meia... poderes todos eles, junto a Igreja, fácticos como se di por aí.

Assí as cousas, cantamos com Barricada aquilo de “Callejón sin salida” enquanto nos volverám assinalar co infame dedo acusador por nom pregar-nos ao racismo lingüístico, a ética de Narciso do capitalismo e por nom ir aos touros nem animar à selecçom “roja y gualda”. Somos “rojos y separatistas”, somos a “anti-Espanha” porque ainda nos atrevemos a empregar o menos comum dos sentidos, a nom tragar coa sua desinformaçom alienante e a dar a cara por umha sociedade mais justa, igualitária e solidária, onde a educaçom no espírito crítico e a liberdade individual estejam por cima de tertúlias baleiras de televisom para vomitar na sobremesa. Dixi.