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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

E Galiza dixo QUEREMOS GALEGO


"O povo que escarnece ou esquece o seu idioma esta-lhe dizendo ao resto da humanidade que perdeu a sua dignidade", Manuel Maria




DEITADO FRENTE AO MAR…

Língua proletária do meu povo
eu falo-a porque si, porque me gosta
porque me peta e quero e dá-me a gana
porque me sae de dentro, alá do fondo
dumha tristura aceda que me abrange
ao ver tantos patufos desleigados,
pequenos mequetrefes sem raízes
que ao pôr a garabata já nom sabem
afirmar-se no amor dos devanceiros,
falar a fala mai,
a fala dos avôs que temos mortos,
e ser, c'o rostro erguido,
marinheiros, labregos da linguage,
remo e arado, proa e relha sempre.

Eu falo-a porque si, porque me gosta
e quero estar c'os meus, co'a xente miña,

perto dos homes bos que sofrem longo
umha história contada noutra língua.

Nom falo pr'ós sobérbios,
nom falo pr'ós ruins e poderosos,
nom falo pra os finchados
nom falo pra os valeiros,
nom falo pra os estúpidos,
que falo pr'ós que agoantam rexamente
mentiras e injustiças de cotio;
pr'ós que suam e choram
um pranto cotiám de bolboretas,
de lume e vento sobre os olhos nuos.
Eu nom podo arredar as minhas verbas de
todo'los que sufrem neste mundo.
E ti vives no mundo, terra minha,
berce da minha estirpe,
Galiza, doce mágoa das Espanhas,
deitada rente ao mar, isse caminho…

CELSO EMÍLIO FERREIRO






1 comentário:

O Garcia do Outeiro disse...

Por um erro indica-se que a citaçom é de Manuel Maria, mas pertence a Manuel Murguia e recolhe-se na sua obra "El regionalismo gallego".