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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

FAUNA CHANTADINA E PERSPECTIVAS PARA AS MUNICIPAIS


Ainda ecoam aquelas palavras dum destacado dirigente da direita espanhola “joder que tropa!”, enunciado que mesmo semelha desenhado para aplicar-lhe à direita espanhola. Nom é nada novo que na Galiza existe umha caste de senhoritangos que desprezam o país e apenas aspiram por medrar e crescer alá pola Meseta. Nom fai tanto que Rosa Díez afirmou “Feijoo es muy gallego en el sentido peyorativo de la palabra” já que nom lhe chegava a cruzada desamalhoada contra o galego porque já nom lhes avonda com que os galego-falantes vivamos emigrados na nossa própria terra. Som a direita do búnker franquista que tam bem lhe vai alá polos mandriles, pátria do chauvinismo e os preconceitos.
A xenofobia nacionalista cara os imigrantes complementa-se com a xenofobia nacionalista cara a dentro, com a intolerância por bandeira e o provincianismo castiço madrileno como norma. Eis o PP de Susana López Abella que tentou apresentar em Chantada umha moçom contra a “imposiçom” do galego. Um PP reaccionário e intolerante, nacionalista espanhol e herdeiro da pior bagage ideológica do franquismo. Um PP demagógico que enlama de dia para dia a política, composto por trepas e medíocres que nom som capazes de fazer umha oposiçom construtiva e auto-centrada em Chantada e por isso vivem de emular aos seus “grandes”. A sua miséria intelectual chega a tal ponto que com o partido local em crise e a ponto de rachar ainda falavam de “bipartito”, eles, os do bi-partido. Os delegados de Susana que ascendeu como o dom Caledónio de Risco e inchou o fole e a sua veia senhoritanga.
De certo que em 2011 as redes clientelares de Chantada funcionarám ao 1200%, com um PP desesperado por nom finar absorvido pola nova marca eleitoral da direita local que comandará, incrível mas certo, o home que deixou a cámara municipal ao bordo do colapso económico com concesons pingües a empresas privadas, como a das piscisnas municipais entregues a umha empresa enquanto o concelho seguia gastando milheiros de euros em pagar o gasoil. Ultraliberalismo puro e duro que, infelizmente, desconhece a grande parte das vizinhas e dos vizinhos.
Si, o “monolitismo”, versom local do fraguismo, volve apresentar-se. E essa é a sua grande eiva, nom se podo fazer umha proposta eleitoral a sério botando mao do cacique de toda a vida, qual será o lema “Vota Manolo, tú ya sabes” ou quiçais “Tem sentidinho, vota Manuel”? Assi nom, com umha Sada já tivemos de avondo. Assi nom se constrói umha direita civilizada e auto-centrada na Galiza, umha direita que beba como mínimo do cuinhismo e para bem da autêntica tradiçom galeguista, umha direita que mereça chamar-se galega e que se espelhe na direita europeia da Escandinávia e os países germánicos. Umha direita adulta e civil, nom umha direita sectária e de quartel. Qual é a oferta ideológica real deste novo artefacto da direita local? Qual o projecto de vila que nos oferecem? O poder polo poder, nom tenhem a prepotência da direita dura e rança do PP, mas tampouco achegam rem novo.
E logo está o governo. Um governo de coligaçom que demonstra que em democracia é necessário pactar, dialogar e construir conjuntamente como acontece nos estados mais avançados da Europa. Os pactos entre BNG e PSOE fôrom um ponto de partida para umha cultura política e democrática que ainda está em cueiros e que arrincou com as mobilizaçons de Nunca Mais! e Nom à guerra! Agora bem, a ninguém se lhe escapa que as relaçons entre os dous sócios de governo nom é a melhor porque o PSOE nom entende que nom governa em solitário, que o BNG nom é um simples convidado de pedra. O PSOE deve volver ser PSOE e nom umha casa tomada por “independentes”, tem que soltar lastre e, sobretodo, tem de apartar a umha parte muito concreta dos seus quadros dirigentes actuais. Do contrário, auguro-lhe um batacaço eleitoral e umha longa crise interna. É cousa deles, mas seria bom que se o planejaram antes de ver-lhe as orelhas ao lobo.
E que pode oferecer o BNG. Esquerda, ética de esquerdas. O BNG é a única força genuinamente de esquerda que concorrerá nas eleiçons de 2011, umha esquerda que historicamente sempre estivo viva e vigorosa em Chantada, umha esquerda nacional que deseja que Galiza seja naçom e viver num país com sociedade civil madura e crítica, como a que exite em Catalunya ou Euskal Herria. Umha esquerda dos que estám fartos de calar e ir com quem mande, fartos dos caciques e dos senhoritos e desejosos de construir umha naçom pluricêntrica de cidadaos. O BNG quere ser umha esquerda capaz de integrar as chantadinas e os chantadinos, as forças vivas da vila para que nom volvam os de sempre.
Nessa Galiza viva e plural é tamém muito necessário que desde a esquerda se crie sociedade civil que exija – seja ou nom de todo coincidente com os nossos postulados– umha democracia burguesa merecente de tal nome, ou seja, umha república burguesa onde as classes meias e populares transijam ceder parte da sua soberania sempre e quando se garantam as condiçons dum forte welfare state, como o que existe na Escandinávia, e onde as classes operárias sejam a alavanca da transformaçom através da esquerda social mais consciente. Isto nom é umha concesom apenas aos espíritos burgueses – eu próprio som um pequeno-burguês– mas tamém um impulso necessário para construir sociedade civil.
O termo sociedade civil deostado por algumha esquerda está dalgum modo incluído em Marx e na sua teoria da acumulaçom de forças materiais. É compatível com o conceito de classes, porque abrange mais do que umha classe (ou menos dependendo de qual seja) e fai-se necessário nos nossos sistemas políticos actuais, em minha opiniom. Quanto mais livremente se desenvolvessem as sociedades civis mais se multiplam os projectos nela, ou seja, que se permite as estruturas sociais impor tendências e influir sobre as decisons polítiticas exercendo de contrapeso à grande burguesia, controladora do Estado de resto, as utopias e os sonhos da sociedade civil, da sociedade mais consciente, tornam-se nessas forças materiais de que falava o jovem Marx quando se apoderam das massas. A laboura dumha esquerda nacional que seja merecente de tal nome é empregar as instituiçons como alavanca desde a que outorgar força e poder à sociedade civil, para reforzá-la no sentido de acumular forças materiais que fagam de contrabalança ao poder do Estado, enquanto sentam as bases para que novas forças sociais inventem futuros. A vindoura legislatura tem de ser para o BNG a batalha da participaçom cidadá, de desenvolver estruturas onde os cidadaos podam incidir com claridade e transparência na instáncia política. Já nom hai partido-guia, agora o fouzinho só serve para abrir um caminho que se deve percorrer e elaborar entre todas as chantadinas e todos os chantadinos no seio dumha Galiza que tem vontade de ser e de decidir.

“Joder, como sois los gallegos! Madia a leva”.

2 comentários:

O Garcia do Outeiro disse...

Esqueceu-se-me assinalar que nem tam sequer o local, e a política municipal por ende, escapa da problemática do apartheid global, em palavras de Arjun Makjijani o regime de segregaçom global baseia-se num ponto fundamental que "é que a estrutura da economia mundial se apresenta, nas suas características essenciais, semelhante ao regime de segregaçom racial da África do Sul - um modelo de apartheid global".

Por sua parte, Daniel Kevles tem assinalado que "apesar das naçons do hemisfério norte e industrializado possuírem apenas cerca de 24 por cento da populaçom mundial utilizam aproximadamente 80 por cento da energia produzida e dos recursos minerais. Cerca de 33 por cento desses recursos som usados única e exclussivamente polos Estados Unidos, país que possui apenas 5 por cento da populaçom mundial".

O Garcia do Outeiro disse...

Esqueceu-se-me assinalar que nem tam sequer o local, e a política municipal por ende, escapa da problemática do apartheid global, em palavras de Arjun Makjijani o regime de segregaçom global baseia-se num ponto fundamental que "é que a estrutura da economia mundial se apresenta, nas suas características essenciais, semelhante ao regime de segregaçom racial da África do Sul - um modelo de apartheid global".

Por sua parte, Daniel Kevles tem assinalado que "apesar das naçons do hemisfério norte e industrializado possuírem apenas cerca de 24 por cento da populaçom mundial utilizam aproximadamente 80 por cento da energia produzida e dos recursos minerais. Cerca de 33 por cento desses recursos som usados única e exclussivamente polos Estados Unidos, país que possui apenas 5 por cento da populaçom mundial".