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domingo, 23 de maio de 2010

FAINOS CHEGAR PROPOSTAS PARA O PROGRAMA ELEITORAL



No BNG cremos nun xeito de facer política, unha política baseada no respecto ás posicións dos demais e na tolerancia coa pluralidade ideolóxica. É a adicación de todos e de todas o que nos está a facer avanzar, cunha xestión política seria, rigorosa e responsábel. Estamos por unha política decente, serea e transparente que dea satisfacción ás necesidades e urxencias veciñais.

A nosa actuación municipal tenta impulsar o País que queremos; aberto, creativo e comprometido, cun Concello pensado para o respecto dos dereitos e a participación de todas e todos.

A sociedade chantadina levaba tempo reclamando protagonismo e respecto e dende as nosas áreas de goberno así o intentamos facer, para construír o futuro cun progreso sustentábel; ter servizos de calidade, traballar e vivir con dignidade e pensar o opinar sen coaccións.

Sen democracia participativa non hai democracia posíbel. E o o concello é o lugar máis axeitado para exercela.

Por iso abrimos um espazo na rede social Facebook e este post para que nos fagas chegar a túa proposta en forma de comentario nesta entrada para incluir no programa eleitoral.

Grazas de antemán.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Zapatero manos tijeras

A caixa-boba anuncia o pacote de medidas de Mr. ZP e os seus "socialdemocratas". No fundo da cena vê-se Atenas em chamas, vencida polos troianos cibernéticos da banca. O velho-novo trabalhador olha sem dar crédito ao que ouça:

- Como é possível que paguemos os de sempre a miséria moral que nunca contribuimos para criar?

a) O ordenado dos funcionários desce 5% de meia em 2010 e congela-se em 2011. O IPC seguramente subirá entre um 2 e um 3% polo que o seu poder adquisitivo descerá. O fim da classe meia é questom de tempo.

b) As pensos nom subirám conforme ao IPC (agás as nom contributivas e as mínimas). Aliás, suspende-se o regime de jubilaçom transitória que contemplava a Lei 40/2007, o que deixa aos trabalhadores vítimas de accidentes laborais numha situaçom em bastantes caos totalmente insufrível:

http://noticias.juridicas.com/base_datos/Laboral/l40-2007.html#

c) Fim do irrisório 'baby-check' que para nada contribuiu a um aumento da natalidade (a partir do 1 de Janeiro do vindouro ano).

d) Os medicamentos excluídos do preço de referência (muitos deles para pessoas com doenças extranhas e / ou nerviosoas) verám inçado o seu preço. No entanto, as unidoses e a adequaçom dos envases à duraçom do tratamento si que me parece umha medida acertada, o cortês nom tira o valente.

e) Isto si que para territórios coma Galiza é gravíssimo. Suspende-se o caracter retroactivo das prestaçons de dependência desde a sua tramitaçom, e só se começará a considerar o carácter retroactivo a partir dos seis meses. Ou seja que um nom é dependente porque esteja encamado e com umha pessoa amalhoada a um, um é dependente só se leva seis meses encamado a partir do recheio dum papel oficial do Estado espanhol.

f) E a Marela no milho... Reduzem a Ajuda oficial ao desenvolvimento entre 2010-2011 em 600 milhons de euros. Noutras palavras agora seremos menos "caritativos" porque somos mais pobres. Ogalhá o dia de manhá nos pague o mundo com a mesma moeda. E estes som de esquerdas e socialistas? Que pouca vergonha!

g) Fomenta-se o número de desempregados com a implementaçom da linha dura ultraliberal: a obra pública reduze-se e com ela a criaçom de emprego. Mais de 6.000 milhons menos. E a Elena Salgado esta é economista?

h) Poupança de 1.200 milhons de euros em CC.AA. e cámaras municipais. A recentralizaçom do estado é imparável, quando som Nafarroa e Euskadi as que menos desempregados tenhem ao dispor dum regime fiscal evidentemente descentralizado.

i) O PSOE di que com este "tesouraço" nom toca os piares do welfare state, menos mal toda a classe operária já durme mais tranqüila sabendo isto.

j) Os sindicatos verticais CCOO e UGT seguirám aplaudindo. A CiG irá à greve geral ou tamém bailará no mundo do sindicalismo progre subvencionado? Os parvos parvinhos seguirám votando coma ovelhas aos máximos representantes da burguesia e das medidas económicas ultraliberais, por este orde: UPyD, PP e PSOE.

l) Ao governo nom se passou nem pola cabeça eliminar a subvençom a FAES e demais morralha, nem subir os impostos às rendas do capital.

m) O governo sube o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) para reduzir o consumo doméstico e deteriorar ainda mais a economia. Aliás, a menor poder adquisitivo os consumidores optarám polos produtos mais baratos (fabricados afora do estado) e botarám penedos contra o seu próprio telhado. Genial!

n) Finalmente, por umha proposta do BNG no Congresso alimentaçom manterá um IVA superreduzido de 4%, mas nom se tomam nem contemplam medidas especiais para defender o leite, a carne e as legumes, fruitas e demais produtos dos gandeiros de todo o estado. The economy stupid!

nh) E na Galiza? Na Galiza Feijoo sigue-nos tratando coma parvos e o povo come do an... Ver maisçol sem botar-se à rua e mandar a toda a morralha para a casa. Que fai esta "classinha" política galega? Que alternativas ao ultraliberalismo oferece? Aí os tedes aplaudindo umha fussom das caixas que significa a sua bancarizaçom, que significa que nom vam ser a injecçom de capital que os mais necessitados (autónomos, labregos, famílias...) esperavam. Nom servirá ao povo galego, servirá a aristocracia do povo galego.

Ooooooo) O povo galego tem que tomar a Bastilha e sacar a guilhotina dumha puta vez. O paço de Meirás aguarda tamém para ser tomado e o Bourbom ri-se dos que enfermos que botam meses em listage de espera... O capitalismo dá nojo e ponto.



P.D.: se isto é socialismo que venha a anarquia!








segunda-feira, 10 de maio de 2010

Manifestaçom em defesa da área sanitária pública de Monforte de Lemos

O 13 de Maio todas e todos com a sanidade pública:

segunda-feira, 3 de maio de 2010

20 teses contra o capitalismo verde

O texto de abaixo é uma tradução livre de Fernanda Silva das “20 Theses against green capitalism”, de Tadzio Mueller e Alexis Passadakis, encontrado no Nowtopia de Chris Carlsson. Alexis é membro da ATTAC Alemanha e Tadzio faz parte do coletivo editorial Turbulence. Reproduzido de Apocalipse Motorizado. Considerando a importáncia do texto decidimos reproduzí-lo no nosso blogue, o site-fonte pode-se consultar aqui.

1. A atual crise econômica mundial marca o fim da fase neoliberal do capitalismo. “Negócios como sempre” (financeirização, desregulação de mercados, privatização…) não são mais uma opção: novos espaços de acumulação e tipos diferentes de regulação política deverão ser criados pelos governos e corporações para manter o capitalismo de pé.

2. Além das crises econômica, política e climática, existe uma nova crise atormentando o mundo: a “biocrise”, que é o resultado da mistura suicida entre o ecossistema que garante a vida humana e a necessidade constante de expansão do capital.

3. A “biocrise” representa um perigo imenso à nossa sobrevivência coletiva. Mas, como todas as crises, também apresenta aos movimentos sociais uma oportunidade histórica: a de expor a jugular do capitalismo, ou seja, a sua incessante e destrutiva necessidade de se expandir.

4. Uma das propostas que emergiram das elites globais, a única que se relaciona com todas estas crises, é a do “New Deal” verde. Esta já não é mais a fase do capitalismo verde 1.0, da agricultura orgânica e do “faça você mesmo”, mas sim uma proposta de que esta fase “verde” do capitalismo deve continuar gerando lucros através da modernização de certas áreas de produção (carros, energia, etc).

5. O capitalismo verde 2.0 não é capaz de resolver a “biocrise” (mudanças climáticas e outros problemas ecológicos como a redução da biodiversidade), mas consegue tirar algum lucro dela. Esta postura não altera em nada a rota de colisão entre as economias de mercado e a biosfera.

6. Não estamos mais em 1930. Naquela época, através da pressão de movimentos sociais, o velho “New Deal” redistribuiu o poder e a riqueza. O “Green Deal” discutido por Obama, pelos partidos verdes ao redor do mundo e pelas corporações multinacionais está mais relacionado ao “bem-estar” das corporações do que das pessoas.

7. O “Capitalismo Verde” não vai colocar em discussão o poder daqueles que mais emitem gases de mudanças climáticas (empresas de energia, companhias aéreas, montadoras de automóveis, agricultura industrial), mas simplesmente vai despejar mais dinheiro nestas empresas, para ajudá-las a manter seus lucros mediante pequenas mudanças ecológicas, que serão muito pequenas e tomadas muito tarde.

8. Em escala planetária, os trabalhadores perderão seu poder de exigir salários decentes. Em um mundo configurado pelo “capitalismo verde”, os salários deverão estagnar ou decair para cobrir os custos da “modernização ecológica”.

9. O Estado do “capitalismo verde” será autoritário. Justificado pela ameaça de crise ecológica, o Estado irá “gerenciar” as agitações sociais que necessariamente irão emergir do aumento do custo de vida (comida, energia, etc) e do decréscimo dos salários.

10. No “capitalismo verde”, os pobres serão excluídos do consumo, empurrados para as margens, enquanto os mais ricos terão que “ajustar” seu comportamento destrutitvo indo às compras e salvando o planeta ao mesmo tempo.

11. Um estado autoritário, o aumento das desiguldades, o bem-estar das corporações: do ponto de vista da emancipação social e ecológica, o “capitalismo verde” será um desastre do qual não conseguiremos nos recuperar jamais. Hoje nós ainda temos a chance de superar paradigma suicida do crescimento constante. Amanhã, quando nos acostumarmos ao capitalismo verde, isso não será possível.

12. No “capitalismo verde” existe um perigo estabelecido: os grandes grupos ambientais passarão a desempenhar o mesmo papel que os sindicados desempenharam na era Fordista: agir como válvulas de escape para assegurar que as demandas de mudança social e que nossa raiva ficarão contidas dentro dos limites estabelecidos pelo capital e pelos governos.

13. Albert Einstein definiu “insanidade” como “fazer a mesma coisa repetidas vezes e esperar resultados diferentes”. Na década passada, apesar de Kyoto, não apenas cresceu a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, como também foi aumentada a taxa de crescimento destas emissões. Queremos apenas mais do mesmo? Não seria isso uma insanidade?

14. Os acordos climáticos internacionais promovem as falsas soluções, que geralmente visam garantir apenas a segurança energética e não atacar as mudanças climáticas. Longe de resolver crises, o comércio de carbono e as medidas a ele associadas servem apenas como escudo político para que as emissões de gases de efeito estufa continuem a ser feitas impunemente.

15. Para muitas comunidades do Sul do planeta, estas falsas soluções (biocombustíveis, “desertos verdes” e comércio de carbono) muitas vezes configuram uma ameaça maior do que as próprias mudanças climáticas.

16. Soluções reais para a crise climática não vêm de governos e corporações. Elas vêm de baixo, da sociedade global e dos movimentos que lutam por justiça climática.

17. Estas soluções incluem: não aos acordos de livre comércio, não às privatizações, não à flexibilização dos mecanismos de controle. Sim à soberania alimentar, sim ao decrescimento, sim à democracia radical e sim a deixar os recursos naturais onde eles se encontram.

18. Configurados como um movimento emergente por justiça global, devemos lutar contra dois inimigos: as mudanças climáticas e o capitalismo “fossílico” responsável por elas e, por outro lado, também será preciso lutar contra o emergente “capitalismo verde”, que não vai interromper o processo destrutivo, mas sim limitar a nossa capacidade de atuar para a impedir a destruição.

19. É claro que mudanças climáticas e acordos de livre comércio não são a mesma coisa. Mas o protocolo de Copenhagen será uma instância regulatória, da mesma forma que a OMC foi central para o capitalismo neoliberal. Então, como relacionar as duas coisas? O grupo dinamarquês KlimaX argumenta: um bom acordo é melhor do que nenhum acordo - mas nenhum acordo é melhor do que um mal acordo.

20. A chance dos governos sairem de Copenhagem com um “bom acordo” é praticamente zero. Nosso objetivo deve ser exigir soluções reais. Se isso não for possível, devemos esquecer Kyoto e impedir Copenhagem (não importa qual seja a tática).

As Guerras de dívida que se avizinham na Europa.


Artigo tirado de aqui.

A dívida pública na Grécia é apenas a primeira de uma série de bombas de dívida prontas a rebentar. As dívidas hipotecárias nas economias pós-soviéticas e na Islândia são mais explosivas. Ainda que estes países não estejam na zona euro, o grosso das suas dívidas estão denominadas em euros. Cerca de 87% das dívidas da Letónia são em euros, e estão sobretudo nas mãos de bancos suecos, ao passo que a Hungria e a Roménia têm as suas dívidas em euros sobretudo em bancos austríacos.

O endividamento dos governos de países que não fazem parte da zona euro foi contraído para sustentar umas taxas de câmbio que não permitissem ao sector privado pagar as suas dívidas aos bancos estrangeiros, e não para financiar o deficit orçamental do país, como aconteceu na Grécia.

Todas essas dívidas são tão altas até ao ponto de não devolução, porque a maioria destes países está prestes a incorrer em défices comerciais cada vez mais profundos e encontram-se afundados numa depressão. Agora que os preços dos bens de raiz estão a desmoronar-se, os défices comerciais já não podem continuar a financiar-se pelo fluxo de entrada de empréstimos hipotecários em moeda estrangeira e venda de propriedades. Não é possível prever uma forma de estabilizar as moedas (como por exemplo umas economias sadias). Nos últimos anos, essas economias sustentaram taxas de câmbio com empréstimos da União Europeia e do FMI. Os termos desses empréstimos são politicamente insustentáveis: cortes drásticos do orçamento público, taxas fiscais mais altas sobre uns salários já sobrecarregados fiscalmente e planos de austeridade que redundam no encolhimento da economia e da expulsão de mais força de trabalho para a emigração.

Os banqueiros da Suécia e Áustria, da Alemanha e da Grã-Bretanha estão prestes a descobrir que alargar o crédito a países que não podem (ou não querem) pagar pode tornar-se num problema deles, e não num problema dos devedores. Ninguém quer aceitar o facto de as dívidas que não podem ser pagas não serão pagas. Alguém deve arcar com os custos, á medida que as dívidas entrem em mora ou fiquem desvalorizadas; e há muitos juristas que consideram pouco menos que letra morta os acordos que obrigam a devolução em euros. Toda a nação soberana têm o direito de legislar sobre as condições da sua dívida, e os reajustes monetários e as depreciações da dívida não serão nariz de santo.

Não há razões que desvalorizar, a não ser em períodos «excepcionais». Foi isso que Franklin Roosvelt, em 1933, desvalorizou o dólar em relação ao ouro em 75%, elevando assim o preço deste metal de 20 para 35 dólares a onça. Para evitar uma elevação proporcional dos encargos da dívida estadunidense anulou a «cláusula ouro», que indexava ao preço do ouro o pagamento dos empréstimos bancários. E é aqui que se desenrolará agora a batalha política: o pagamento da dívida em moedas desvalorizadas.

Outro aspecto lateral da Grande Depressão nos EUA e no Canadá foi ilibar de responsabilidade pessoal os devedores hipotecários, permitindo-lhes assim não responderem pessoalmente pela falência. Os bancos que executam as hipotecas podem ficar com a propriedade imobiliária dada como garantia da dívida, mas não têm outros direitos sobre as hipotecas. A prática – baseada no direito anglo-saxónico – mostra como a América do Norte se libertou do legado tipo feudal, característico das velhas e duríssimas leis europeias, que davam todo o poder aos credores e manietavam os devedores.

A questão é sempre quem suportará as perdas? Manter as dívidas denominadas em euros provocaria a falência de muitas empresas locais e do sector imobiliário. Ao contrário, redenominar essas dívidas em moda local desvalorizada significará a evaporação do capital de muitos bancos que operam em euros. Mas, ao fim e ao cabo, esses bancos são estrangeiros. E os governos representam o eleitorado nacional. Os bancos estrangeiros não votam.

Os detentores estrangeiros de dólares perderam uma 29ª ou 30ª parte do valor em ouro das suas reservas desde que os EUA deixaram em 1971 de associar ao ouro os seus défices da balança de pagamentos. Agora recebem menos de uma trigésima parte disso, visto que o seu preço atingiu os 1.100 euros a onça. Se o mundo pôde aceitar isso, por que razão não haveria de aceitar a futura depreciação da dívida europeia, que aí vem a toda a velocidade?

Há um consenso crescente que as economias pós-soviéticas se estruturaram desde início em benefício de interesses estrangeiros, e não das economias locais. Por exemplo, o trabalho dum letão suporta uma carga fiscal superior a 50% (trabalhador, empresário e taxas sociais), uma percentagem suficientemente alta para o tornar não competitivo, enquanto os impostos sobre a propriedade têm taxas inferiores a 1%, o que gera um incentivo crescente à especulação. Esta distorcida filosofia fiscal converteu os «Tigres Bálticos» e a Europa Central em mercados privilegiados de empréstimos para os bancos suecos e austríacos, enquanto os seus trabalhadores não puderam ter um trabalho bem pago no seu próprio país. Nada disto – nem essas leis terríveis que desprotegem o posto de trabalho – podem encontrar-se na Europa Ocidental nem nas economias asiáticas ou da América do Norte.

Parece pouco razoável e irrealista esperar que grandes franjas da população da Nova Europa possam aceitar execuções de parte do salário para toda a vida, reduzindo-se a uma servidão perpétua por dívidas. As futuras relações entre a Velha e a Nova Europa dependerão da possibilidade da euro zona redesenhar as economias pós-soviéticas de acordo com princípios mais solventes: com um crédito mais reprodutivo e um sistema fiscal menos inclinado a favor dos credores proprietários e que promova o emprego, antes da inflação dos activos, que empurra as pessoas para a emigração. Além dos ajustamentos monetários para enfrentar uma dívida inabordável, a solução adequada para esses países passa por uma deslocação da carga fiscal, do trabalho para os bens de raiz que se assemelhe mais à Europa Ocidental. Não há alternativa. De outro modo, o inveterado conflito entre devedores e credores ameaça dividir a Europa em dois campos politicamente hostis, com a Irlanda a ensaiar qualquer coisa de novo.

Enquanto não se resolver o problema da dívida – e a única forma de o fazer é negociar uma depreciação da mesma –, a expansão europeia (a absorção da Nova Europa pela Velha) parece encalhada mostrou. Mas a transição para esta solução futura não será fácil. Os interesses financeiros dominam na União Europeia, e resistirão ao inevitável. Gordon Brown já a sua verdadeira surpresa e ameaça a Islândia de usar, ilegal e ilegitimamente, o FMI como agente de cobrança das dívidas que a Islândia contraiu legalmente e de bloquear a entrada da Islândia na União Europeia.

Enfrentando os alardes intimidatórios de Brown – e a dos holandeses, companheiros servis dos britânicos –, 97% dos votantes islandeses opuseram-se à solução da dívida que a Grã-Bretanha e a Holanda queriam impor-lhes com a aceitação dos membros do Athing [parlamento islandês]. Um sufrágio tão elevado nunca se tinha visto no mundo desde os tempos do estalinismo. E isto é só o começo. A decisão que a Europa está a ultimar, presumivelmente fará sair às ruas milhares de pessoas. As alianças económicas e políticas tornar-se-ão instáveis, as moedas desvalorizar-se-ão e cairão governos. A União Europeia e o ainda inteiro sistema financeiro internacional mudarão de forma que ainda não é possível prever. E isso ocorrerá, especialmente se as nações adoptarem um modelo estilo argentino e recusarem pagar até que não sejam feitos descontos substanciais.

Para nações que esperam manter uma sociedade civil moderada é impossível pagar em euros porque os seus bens de raiz e as receitas esvaem-se na dívida técnica, quando as dívidas excedem o valor corrente dos fluxos de receitas disponíveis para pagar as hipotecas ou dívidas pessoais. Os «planos de austeridade» impostos pelo FMI e União Europeia não passam de um paliativo anti-séptico, tecnocrático com que se designam o impacto mortal da destruição da receita, os serviços sociais, os gastos com a saúde e hospitais, a educação e outras necessidades básicas que converterão as nações em «economias saturadas de postos de portagem» em que toda a gente terá de pagar os preços de acesso às estradas, à educação, à assistência médica e a outras necessidades da vida e aos negócios que há muito são subsidiados por uma fiscalidade progressiva na América do Norte e na Europa Ocidental.

As linhas da batalha fixaram-se á volta do modo como vão ser honradas as dívidas privadas e públicas. Para as nações relutantes a honrá-las em euros, as nações credoras preparam-lhes uma boa e musculada recepção através das agências de qualificação de crédito. Ao primeiro sinal de uma nação recusar pagar em moeda forte, ou mesmo á primeira menção de questionar uma dívida externa, as agências começarão a reduzir a qualificação do crédito de uma nação. Isso incrementará o custo do empréstimo, ameaçando com a paralisação da economia através da asfixia do crédito.

O tiro mais recente foi o dispaardo a 6 de Abril quando a Moody’s degradou a dívida islandesa de estável para negativa. «A Moody’s reconheceu que a Islândia ainda podia conseguir uma acordo melhor em negociações futuras, mas disse que a actual incerteza prejudicava as perspectivas económicas e financeiras do país a curto prazo.

A luta começou. Será bastante interessante

Este texto foi publicado em www.globalresearch.ca. Traduçom de José Paulo Gascão para odiario.info.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Sucesso da exposiçom itinerante Mulheres entre o Sil e o Minho em Chantada



Para mais informaçom ou para participares no projecto visita o site oficial da exposiçom clicando aqui.

Por quê é que lhe chamam austeridade ao que se lhe devera chamar recorte?
BNG Chantada

A propaganda oficial apresenta ao Governo Feijóo como eficiente e austero. Nom é nem umha cousa nem a outra e os dados avalam esta consideraçom. Em 2009, Feijóo gestionou o orçamento durante 9 meses e a nova Administraçom galega incrementou os gastos correntes em 421 milhons de euros a respeito de 2008. O grave é que isto se produziu ao tempo que diminuiu o gasto en investimento, ou seja, o gasto que cria riqueza e que pode servir para acelerar a superaçom da crise económica.

Os dados de execuçom do orçamento mostram tamém a ineficiência do (des)Governo Feijóo: em 2009, executou apenas 58,44 por cento do dinheiro destinado a investimentos produtivos. Estamos a falar nem mais nem menos que deixou de investir na economia produtiva 724 milhons de euros. Isto é gravíssimo. En plena crise económica, o Governo foi incapaz de executar o seu propio orçamento. 724 milhons de euros nom fôrom injectados à economia galega pola ineficácia do Governo galego.

Feijóo afirma agora que tem que reduzir o orçamento em curso em 218 milhons de euros porque o Estado lhe ingresou 111 milhons menos do previsto (devido à descida da recadaçom fiscal produzida pola crise).

En primeiro termo, Feijóo tem que explicar por que se o retalhamento dos ingresos do Estado é de 111 milhons de euros el vai a meter um tesouraço às contas públicas de 218. En segundo termo, Feijóo tem que comprometer-se a nom tocar nem o gasto social nem o gasto em investimento produtivo (melhorando sensivelmente o grau de execuçom orçamentar). O tesouraço tem que limitar-se exclussivamente a reduzir o gasto corrente improdutivo.
Em definitiva, a brigada de demoliçom e limpeça Feijóo S.L. tem que eficiente, justo o que nom foi até o de agora e deixar-se de eufemismos dumha auteridade que só afecta aos piares do velfarismo e aos serviços socias. A crise devem-na pagar os seus responsáveis nom a classe trabalhadora.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A opiniom do grupo municipal do BNG sobre os recortes da Junta de Galiza

A Junta de Galiza recortará o seu orçamento para 2010 em 200 milhons de euros, com umha reduçom meia de 1,05% nas áreas de ámbito social como Educaçom, Sanidade, Universidades e Bem-estar; e 4,4% nas restantes. Portanto, fica já bem às claras o que é na realidade a tam predicada austeridade da brigada de demoliçom e limpeça étnica encabeçada por Feijoo.

As conselharias com maiores recortes serám Industria e Economia com 7%; e Cultura e Turismo com 6,5%. Desde o departamento de Fazenda informárom de que os 200 milhonns eram a “cifra límite” para garantir a prestaçom dos serviços públicos, pese a que a Junta pensava em 218 milhons. Uns 125 milhonns dos 200 que se detraerám dos orçamentos da comunidade autónoma no exercício do curso correspondem a gasto corrente, e os restantes 75 milhons, a investimentos produtivos, contraindo os serviços públicos e favorecendo o lucro privado o privi-legium, ou seja, a lei privada por cima da res publica.

Desde Fazenda indicárom que en nengum caso, estes recortes afectarám ao gasto social e as transferências às corporaçons locais e às universidades, à luita contra os incéndios, a justiça gratuíta, as ajudas para a igualdade, as subvençons de peages e o financiamento do Jacobeu 2010. Perguntamo-nos entom nós inocentemente a que é que afectarám estes recortes milhonários.

terça-feira, 20 de abril de 2010

O shock do preço dos alimentos: ou modificaçom genética ou fame

Nota Bene: O seguinte texto é um trecho dum artigo de Naomi Klein intitulado "Capitalismo do desastre: estado de extorsom". A traduçom é própria. O artigo original em castelhano e completo pode consiltar-se aqui.


Naomi Klein é autora de numerosos livros, incluído o mais recente The shck Doctrine: The Rise of Disaster Capitalism. Para umha recensom sobre o livro feita pola mocidade do Encontro Irmandinho consultar aqui.

"Capitalismo do desastre: estado de extorsom"

Ligada estreitamente ao preço do petróleo encontramos a crise alimentar global. Nom só os elevados preços do petróleo fam subir os preços dos alimentos, mas tamém o boom dos biocombustíveis desdibujou a fronteira entre a comida e o combustível, expulsando aos camponeses das suas terrras e alentando umha especulaçom rampante. Muitos países latinoamericanos insistírom em que se rexamine a pujança dos biocombustíveis como alternativa aos combustíveis fósseis e em que se reconheçam os alimentos como um direito humano e nom como umha mercadoria mais. O subsecretário de Estado dos Estados Undos, Jonh Negroponte, tem em troca outras ideias ao respeito. No mesmo discurso em que tratava vender o compromisso dos EUA na ajuda alimentar de emergência pediu aos países que baixaram as suas "restriçons à exportaçom e elevadas tarifas" e que eliminaram "as barreiras paa o emprego das inovaçons tecnológicas na produçom animal e vegetal, incluíndo a biotecnologia". Hai que reconhecer que esta ameaça era mais subtil que as anteriores, mas a mensage era clara: os países pobres fariam melhor em abrir os seus mercados agrícolas aos produtos norteamericanos e as suas sementes geneticamente modificadas. A contrário, arriscam-se a perder a sua ajuda*.

Os cultivos geneticamente modificados aparecêrom de súpeto como a panaceia para a crise alimentar, quando menos segundo o Banco Mundial, o presidente da Comisom Europeia - "valor y al toro", veu a dizer - e o Primeiro Ministro británico Gordon Brown. E, claro está, segundo as empresas do agribusiness. "Nom se pode alimentar hoje ao mundo sem organismos geneticamente modificados", declarou recentemente Peter Brabec, presidente de Nestlé, ao Financial Times. O problema com este argumento, ao menor por agora, é que nom hai provas de que os organismos geneticamente modificados incrementem a produçom dos cultivos, mas bem disminuem-na**.

Nom obstante, incluso se houvera umha varinha mágica com a que resolver as crise alimentar global, quereriamos por acaso que estiver nas maos dos Nestlés e Monsantos? Qual seria o preço a pagar por que a empregassem? Nos últimos meses Monsanto, Syngenta e a BASF comprárom coma tolas patentes das chamadas sementes "todo-terreno", um tipo de prantas que podem crescer até na terra esgotada pola sequia ou salgada polas inundaçons.

Por outras palavras: prantas modificadas para sobreviver a um futuro de caos climático. Já sabemos até quê ponto é que está disposta chegar Monsanto à hora de proteger a sua propriedade intelectual, espiando e demandando aos granjeiros que se atrevam a guardar as suas sementes dum ano para outro. Pudemos ver como as medicaçons patentadas contra o VIH impedem salvar milhons de pessoas na África subsaariana. Por quê é que os cultivos "todo-terreno" patentados iam a ser diferentes?

Por enquanto, entre tanta charlatanice excitante sobre novas tecnologias perforadoras [de petróleo crú] e genéticas, a administraçom Bush anunciou umha moratória de até dous anos nos projectos federais para a investigaçom em energia solar, devido a aparentemente, preocupaçons meioambientais. Imo-nos achegando à fronteira final do capitalismo do desastre. Os nossos dirigentes nom invertem em tecnologias que nos prevenham dumha maneira efectiva dum futuro climaticamente caótico, e em vez disso decidem-se a trabalhar pau a pau justamente com quem trama planos cada vez mais endianhados para aproveitar-se das desgraças alheias.



Notas do tradutor:

* Esta ameaça fixo-se recentemente à Angola desde o consulado ianque para que promocionaram o inglês em detrimento do português pois do contrário apoiariam - já a apoiam de facto pola sua riqueça em gás e petróleo, o território separatista da Cabinda-.

** Umha das manifestaçons mais evidentes do retrocesso do espaço público no momento actual, o da globalizaçom ultraliberal descendente, é o que na Alemanha deu em chamar-se umha "porta giratória" entre o mundo da política e o mundo dos grandes intereses económicos privados, como recentemente veu confirmar o escándalo das "dietas" de Tony Blair. Já nom se guardam, portanto, nem as formas à hora de exibir umha inusitada promiscuidade entre a classe política e a verdadeira classe dirigente do grande capital. Outro bom exemplo é Berlusconi, paladim do populismo fascistoide ou a relaçom dos banqueiros Rubin e Paulson com as administraçons de Clinton - demócrata - e Bush II - republicano -. Gerhard Schröder, o antigo chanceler socialdemócrata da Alemanha, é agora assesor da petroleira russa Gazpron. No mesmo Estado, o outrora ecologista Joschka Fischer é hoje um conselheiro da empresa automovilística BMW que fabrica carros contaminantes.

No tocante ao Estado espanhol a situaçom nom é evidentemente melhor. Aos lucrosos empregos de persoeiros como Eduardo Zaplana em Telefónica cumpre engadir os diversos casos de corrupçom e ainda que a primeira campanha de UCD foi finaciada por 10.000 milhons que a monarquia saudita emprestou a Joám Carlos I (vid. Patrícia Sverlo: Un rey golpe a golpe) ou as relaçons entre o arquimilhonário Carlos Slim com El País e Felipe González ou a do magnate australiano dos média Rupert Murdoch com José María Aznar. Já por nem falar de Jaume Matas.

Todo isto guarda umha relaçom nada inocente como a financiaçom privada das campanhas eleitorais (tipo Obama) e dos partidos políticos. A tirania evidente das forças globais do mercado tornam o estado providência em estado penitência e anulam a capacidade das insituiçons de tomar decisons postas ao serviço das maiorias sociais.


O "capitalismo do desastre"

http://www.paidos.com/ficha.aspx?cod=45151



+ Informaçom sobre Naomi Klein e a Doutrina do shock em:

http://www.naomiklein.org/shock-doctrine

domingo, 18 de abril de 2010

Um mundo sem transnacionais

GUSTAVO DUCH GUILLOT

Nova tirada de aqui. A traduçom é própria.

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Hai hoje 14 anos, 250 líderes camponeses de Via Campesina, em representaçom dumhas 80 organizaçons de todo o planeta, celebravam a sua segunda assembleia, em Tlaxcala (México), quando recebêrom notícias do Brasil. No Estado amazónico de Pará, em Eldorado dos Carajás, mais de 1.500 mulheres e homes do MST (Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra) tomárom e bloqueiárom a estrada principal para exigir aos governos federal e estatal que adoptaram medidas urgentes a favor da reforma agrária (num país onde 2% dos proprietários é dono de mais da metade da terra fértil do país, mentres mais de 100.000 famílias dormem sob carpas pretas em campamentos de ocupaçom de terras). Sobre as quatro da tarde, 155 membros da Polícia Estatal Militar atacárom sem piedade. Assassinárom a 19 pessoas, 69 resultárom feridas e, delas, três morrêrom uns dias mais tarde.
Catorce anos despois, a matança orquestrada polos grandes proprietários da regiom com o consentimento do Estado segue sem resposta. Os disparos em Pará retumbárom na reuniom de Tlaxcala e, desde entom, cada 17 de Abril milheiros de camponeses e camponesas, e muitas outras pessoas que apoiam ao mundo rural, organizam acçons e eventos para recordar a situaçom de opresom e marginaçom que parece que lhes tem asignado o sistema capitalista.
Como explica Via Campesina na sua convocatória deste ano –e pom o exemplo de Honduras, onde várias pessoas do Movimento Unificado de Camponeses do Aguám tenhem sido assassinadas tamém pola sua defesa da terra que lhes permite cultivar os seus alimentos–,
a repressom sobre as organizaçons camponesas nom cessa e repetem-se, idénticos, muitos 17 de Abril por todo o mundo. Porém ao abuso do terratenente soma-se o poder hegemónico das empresas transnacionais sobre toda a cadena alimentária. Controlam os mercados das sementes, dos agrotóxicos, dos fertilizantes, da auga, da genética animal e tamém, como umha nova tendência, estám-se fazendo –muitas vezes da mao de terceiros países– com o controlo de muita terra produtiva. Monsanto, Cargill, Carrefour, Archer Daniels Midland, Nestlé, Syngenta, entre outras, som os nomes que Via Campesina cita como senhores dumha agricultura globalizada responsável do tránsito de milhons de agricultores e agricultoras dos seus campos aos subúrbios das cidades, da autosuficiência a engrossar as bolsas da pobreza, mentras –com os seus modelos intensivos– afundam na ferida sobre a saúde do planeta.
Así, Via Campesina e os suus aliados centram todas as suas acçons e vindicacons em assinalar o imenso dano que estas corporaçons ocasionam, rompendo de passo o mito que adoita situar em competência à agricultura dos países ricos com a agricultura dos países do Sul. Para reforçar as energias na ofensiva contra as transnacionais e a favor dum mundo sem monsantos, Via Campesina lembra algumhas acçons que demostram que as cousas se podem cambiar e aponta para outras que se devem mudar.
Face o avanço dos transgénicos como tecnologia de dominaçom do camponesado e de pérdida de biodiversidade para a natureza, Via Campesina destaca como a pressom da sociedade civil da Índia conseguiu deter o passado Janeiro a aprovaçom dumha berinjela transgénica da que é co-proprietária Monsanto. Ou como a ocupaçom que figérom em 2006 da sede de investigaçom de Syngenta [produtora de muitos dos sulfatos empregados nas nossas ribeiras e nas nossas patacas, N.T.] em Brasil para alertar de que em Paraná esta transnacional estava sementando ilegalmente várias hectáreas de cultivos transgénicos levou a finais de 2009 a conseguir que esses terrenos se reconverteram num centro para a ensinanza e a investigaçom da agroecologia. Na Europa, junto às vindicaçons contra o recente decreto de aprovaçom de novas variedades transgénicas, estám-se coordinando muitas atividades para desvelar o poder que sobre a nossa agricultura exercem os grandes supermercados. Os dados que desvelam som muito significativos, a vez que preocupantes: neste momento, os grandes supermercados absorvérom 80% do mercado varejista [minorista em castelhano, N.T.] na Europa. Em Reino Unido, por exemplo, umha de cada sete libras que se gasta no comércio desembolsa-se numh a soa grande superfície, em Tesco, que, como os seus companheiros de pódium, aproveita a desregulaçom do comércio internacional para comprar as suas mercadorias nos mercados mundiais a preços mais baixos, ocultando no preço das etiquetas os custos sociais e ambientais. “Quando um produto chega ao mercado –explica Susan George–, perdeu toda a memória dos abusos dos quais é a conseqüência, tanto no plano humano como no da natureza”.


Com esta realidade, sem acesso aos recursos naturais, sem atençom política, as opçons passam pola movilizaçom, e essa é seguramente umha das características insígnia de Via Campesina desde a sua criaçom em 1993. Como a mesma organizaçom explica, barridos polo furacám da globalizaçom, sintírom a necessidade de recuperar com umha voz própria e única o seu espaço de participaçom social. As suas propostas, baixo a premissa de que a alimentaçom é um direito, nom umha mercadoria para as transnacionais, debujam umha paisage possível, justa e formosa.

Gustavo Duch Guillot é coordinador da revista ‘Soberanía Alimentaria, Biodiversidad y Culturas’. Autor de ‘Lo que hay que tragar’

Ilustraçom de Alberto Aragón

segunda-feira, 22 de março de 2010

quarta-feira, 17 de março de 2010

O debate do estado da naçom e o “optimismo da vontade” do Partido Popular

Nada tinha que oferecer o PP ao debate para além da mitologia económica da sua austeridade. As intervençons da tarde fôrom difíceis de digerir para o PP que tivérom que recorrer a argumentos falaciosos os desqualificaçons para poder sobrepor-se no debate. No balanço final semelha que Aymerich se erigiu como vencedor, máxime quando com argumentos desmontou a Galiza de fantasia que apresentou Feijoo no Parlamentinho após uma ano perdido.

Nom estaria de mais começar lembrando que esta crise nem é apenas financeira nem muito menos a imos resolver entre todos como os grandes beneficiados da especulaçom pretendem. Os resgates bancários em todo Ocidente chegárom até os 25 bilhons de €, umha cifra tam astronómica da que a classe operária nom pode nem fazer-se umha remota ideia. No Estado espanhol a cifra alcanço a nada desdenhável quantidade de 150.000 milhons de € o que traduzido numha verdadeira socializaçom (e nom essa contumaz socializaçom das perdas de que alguns falam) suporia um dividendo de 1.500€ por pessoa que tivera 20 anos cotizados.

Os dados oferecidos por Aymerich no debate do estado da naçom nom oferecem muito marge de dúvidas enquanto a análise da situaçom. A grandiloquente promessa, e demagógica como todas as da direita, do PP de criar 43.000 novos empregos é um espelhismo. Em Março de 2010 do único que podemos falar é de 30.000 parados mais e umha suba dos ERE’S do 120%. Som já 49.000 as famílias que tenhem a todos os seus membros no paro e isto com 100% das políticas de emprego transferidas. -1.500 empregos em marisqueio e pesca, enquanto 2000 embarcaçons da frota artesanal e de baixura aguardam por umha licença e fica pendente a renovaçom desta flota pesqueira com mais de 30 anos no caso de muitas embarcaçons. -1200 empregos em SEAGA, empresa com a que nom se sabe que fazer quando se aproxima umha Primavera com risco de incêndio e quando a política preventiva foi igual a cero para volver fazer da indústria do lume a principal do país junto à deputaçom de Ourense. O sector forestal terá que aguardar tamém. -1040 exploraçons gadeiras no sector agrário em tam só ano, u-lo plano estratégico para o leite? A resposta segue estando no ar, como no cantar rebelde. Já o enunciava fai uns dias:

«Desde o 1 de Março os aos firmes defensores do ultraliberalismo atendem a res pública. O 25 de Setembro de 2009 a nova Junta anunciou que ia destinar 400 milhons de euros para a banca com o objecto de que esta concedera créditos as empresas (apenas as grandes que oferecem garantias à banca por descontado). A medida foi bem acolhida polos empresários e La Voz. Ao povo dixérom-lhe que isso era bom e mais umha vez acreditou porque seica gera postos de trabalho, que falha fam em vendo um novo ERE cada dia.

(...)

Gerar emprego. Grande mito ultraliberal que é o criador óptimo do paro. O ultraliberalismo ou anarcocapitalismo é umha destruiçom criativa. Cria seis empregos e desfai cem. As 13.000 exploraçons gadeiras que sobrevivem, nunca melhor empregado o verbo, na Galiza traduzem-se em 26.000 postos de trabalho. Para este emprego a nova Junta destina só 20 milhons de euros em ajudas directas, numha inconcevível proporcionalidade. Já se sabe, mao aberta para o que tem e receitas de austeridade para o moribundo. Que cachondos! O leite volveu a descer até 11 céntimos em Setembro e o SLG decidiu regar as leiras com el. Os 20 milhons de Feijoo sabem a pouco tendo em conta que as perdas dos sector nos últimos meses de 2009 superárom os 78 milhons de euros»[1].

Por certo, nom foi o BNG, mas o Manuel Vasques do PSOE o que lhe lembrou ao presidente da Junta o potencial do Banco de Terras que ao PP nom lhe interessa, mas que Euzkadi ou Croácia copiárom de nós. Claro que a eles irá-lhes melhor em nom vivendo na autoanémia. Fala com descaro de um pacto contra o despovoamento, mas foi o PP quem enjeitou o Plano de equilíbrio territorial. Porque nom opta por recolher a iniciativa do Banco de Terras garantindo o seu carácter público e reforçando as suas competências e ritmo de implantaçom junto ajudas directas para a criaçom dum grupo lácteo galego PÚBLICO e complementos para os gandeiro em formas de subvençons pola conservaçom do meio natural e a sua contribuiçom a prevençom de incendios? Claro, ao melhor nom lhes dá votos.

Porque cumpre afundar com urgência no autogoverno algo que faria um bom galeguista, mas nom um “galeguista de salom” coma vocês que atacam a língua da Galiza. Claro que para eles o marco competência fica-lhes inorme e assassinam a autonomia por inaniçom até fazer dela autoanémia. E ainda falam de galeguismo de salom... se Castelao levantara a cabeça e ouvira a Alba de Glória em “hespañol”... Nom lhes vou lembrar aquela cançom de Luís Cília que lhe recomendava o Beiras aos seus, vou-lhe recomendar outra passage do Beiras na sessom de investidura do 31-1-1990, essa sessom de investura que Feijoo vai repetir umha e outra vez durante quatro anos:

«Rosalía chamara “verdadeira xente do traballo do noso país”, e que, dende ela en diante, foron a razón de ser socialment exenuína de cantos nacionalistas houbo neste país até hoxe, incluído o Alfredo Brañas do que vostede tenta apropriarse ideoloxicamente, de xeito tan improprio como inútil. Esa sua xenealoxía vén dende as minorías reaccionaria que reprimiron e perseguiron aos ilustrados e afrancesados galegos despois das guerras napoleónicas baixo o derradeio absolutismo fernandino, pasando polos que convertiron en mártires aos de Carral no 1846, polos depuados cuneiros da primeira restauración borbónica, polos deputados cuneiros da primeira restauración borbónica, polos foristas contra os que loitaban os agrarios e as Irmandades da Fala, as pauliñas e os caciques satirizados ou, millor dito, retratados por Castelao, logo reproducidos como choupíns e pan de cobra na fría humidade da longa invernía franquista, e verquidos en moldes neocaciquís de novo cuño aínda arestora».

A isto poderiamos acrescentar a destruiçom do modelo enérgico planejado pola anterior Junta. Galiza nom chegará representar mais de 2’5% da energia renovável do Estado e já fica por trás de Castela-Leom mercede a sua “involuçom” no modelo eólico. Pola contra, inça sem contrapartida a Galiza de mais minicentrais para rematar de esquilmar os nossos recursos hidrográficos e a nossa fauna. Ao tempo reduce em 8 pontos o orçamento para Investigaçom e Desenvolvimento (I+D) agravando a situaçom económica das universidades. Dinamarca, onte para o agro e hoje para o eólico modelo em que espelhar-se fica a anos-luz porque lá som estado, aqui “cuatro provincias y un virrey”.

Ao tempo que esfarela as energias alternativas e as marges de benefício para o povo galego aposta tamém decididamente polo meio ambiênte. Abrem a Rede Natura a repovoaçom com espécies foráneas, a parques eólicos às toas e a aquicultura em Tourinhám, feito que denunciará na UE a eurodeputada do BNG Ana Miranda. Aliás, aposta por pôr fim à proibiçom de contruir na costa e a Lei de Ordenaçom do Territórioni está ni se le espera” e quando finalmente chegue pouco haverá que ordenar já, eis a sua Lei do Solo e eis os seus desfalcos meio ambientais e a sua titánica aposta polos gandeiros galegos. Passará à história por ser o governo sem concelharia de Meio Ambiente, ao menos neste eido agradece-se tam manifesta declaraçom de intençons. Nem lhe importa o Plano de impacto ambiental, nem o Plano do sector Hidroeléctrico nem o Plano contra o cámbio climático.

No entanto, parece nom importar-lhes que 500 concelhos contem com menos de 5.000 habitantes e até 100 com menos de 1.000 habitantes. Sem umha reforma da administraçom local, pola que este governo que vive do clientelismo nom vai pular, como é que esses concelhos poderám evitar o despovoamento e já nem isso, apenas oferecer os serviços básicos aos seus cidadaos? 1.700 lugares na Galiza já contam tam só com um vizinho, olhermos para outro lado.

Porém, ainda vai mais alá. O PP conseguiu o que se cria que era imposível. Em pleno ano Jacobeu, entregue a gestom contra natura a empresas madrilenas, a afluência turística desce na Galiza em favor doutras CC.AA do Estado espanhol. As pernoctaçons descérom em Janeiro de 2010 (-6%) a respeito de 2009 e isso que é ano Jacobeu. Isso que o PP aposta pola vivenda, eis o fim do programa “Vivenda em aluguer”.

Defendem as caixas galegas em Compostela e atentam contra a sua galeguidade em Madrid esquecendo-se de levar adiante o recurso contra o FROB e relegando da orde de prioridades o estatuto porque assi o marcou com a sua vatuta o Rajoy. Todo más claro, como naquel romance castelhano. Todo mais claro para as galegas e os galegos. A sua relaçom com o Estado espanhol já pode dar-lhe umha boa carreira em Madrid, a contrário só se poderia achacar a incopetência do nosso presidente Habichuelas. Nem financiamento autonómico, a lei de caixas nom lhe serve para nada mas do que para a galeria, como senom se explica a sua negativa a apresentar um recurso contra o FROB? As novas competências “ni están ni se les espera”.

Porque os três grupos da cámara nom apoiam a criaçom dumhas caixas que sejam tal, cento por cento públicas para pôr em marcha um banco de crédito PÚBLICO para dar-lhe liquided a gandeiros e autónomos? Nom é melhor assi, botar-lhes o adibal ao pescoço.

A cifra de parados actual eleva-se até os 234.000, nunca tantos houvera na história na autonomia, nem sequera quando sobordava 30% da populaçom assalariada e quando Fraga nos dizia que o sector ganeiro estava “sobredimensionado”. U-los quarenta dias para rematar com a “crisi”? Muito a contrário o que observamos foi que os empregos em licitaçom pública descérom em 16.000 e que equanto as cámaras municipais investem 643 milhons de € e o governo central 1.500 milhons a Junta da pseudo-austeridade fica numha cifra comparativamente irrisória: 537 milhons de €. Serám recordados pola sua “austeridade de salom”, pola mediocridade dos seus concelheiros disfarçados com globos em “Desván de los monjes y Toro” e nega-se a comprovar quais som as conseqüências do ultraliberalismo para a Galiza. Tamém o PSOE o fai quando acredita no plus de resistência de 6 pontos para Galiza, hoje perdido. Nom hai tal plus, o que somos é periferia próxima e as crises manifestam-se em toda a sua dimensom com retardo, mas chegam para ficar per secula seculorum graças aos despropósitos da política económica do proximamente partido impopular

A política impestiva da direita ultraliberal nom é melhor no eido da Sanidade, nem nos serviços socias, nem no da educaçom e o panorama para a língua e a cultura é preto. Aqui nom hai governo como o expressou Beiras, aqui existe apenas umha brigada de demoliçom e limpeça étnica. Claro que em La Voz de Galicia seguirám dizendo que Feijoo ganhou o debate, ninguém morde a mao que lhe dá de comer, é-che bem certo.

Qual é a situaçom da sanidade que Feijoo na sua campanha ia revolucionar? Revolucionou si, mas nom rebaixando a listage de espera, mas assentando os piares da privatizaçom e a ruína da sanidade pública inçando os custos reais dos novos hospitais até quatro vezes e com piores serviços. Todo para rematá-los antes. Já tem presas de inaugurar qualquer alpendre como fazia o senhor Fraga. Inauguraçons e fotos, como para estar fachendoso com a privatizaçom do hospital de Bos Aires, 37 milhons de € para umha empresa amiga.

100 especialistas a menos, eis umha das conseqüências das acçons estelares de Pilar Farjas. Para fazer umha mamografia hai que aguardar 14 dias mais, para umha ecografia 36 e 56 para umha endoscópia digestiva. Por sua vez, os hospitais de Vigo e Ponte Vedra entregam-se a empresa privada e o panorama nom é melhor noutros como o de Monforte onde os despidementos e a desmantelaçom da sanidade pública se encobrem com o eufemismo de “externalizaçom de serviços” a vez que o orçamento para sanidade se reduze em 38 milhons de €, a primeira que desce na história da autoanémia galega. Austeridade para o povo e maos-dadas para os ricaços.

Na leira educativa a gratuidade dos livros de texto passou à história enquanto se inçam as ajudas à concertada e aos centros que segregam por sexo. Fôrom 54.000 alunos os que tivérom que pagar os livros de texto e o modelo universal volta os olhos para um modelo de beneficiência que era o que campava por estes lares hai quarenta anos. Jesús Vasques luciu-se.

Para os centros públicos 25 milhons de € menos. Na educaçom superior, a reconversom industrial aplicada ao ensino denominada Plano Bolonha está-se implantando nas piores condiçons possíveis e as três universidades do país contarám com um 2’5% menos de orçamento. U-lo plano de financiamento para as universidades 2009-2015? “Ni está ni se le espera”. As Galescolas substituírom-se polo título dumha obra de Carlos Casares porque o que é o número de vagas para crianças desceu e Feijoo prometera inçá-lo. O programa de canguros do governo anterior tamém é já auga-de-bacalhau.

E que dizer da política social? 35 centros-de-dia ficam fechados enquanto se chantageia às cámaras municiapis para privatizar os serviços e o mesmo conto para as residências de Vimianço, Monforte de Lemos e Ourense. O que si se apurárom é a declarar o fraude de lei no contrado das 61 trabalhadoras que despedírom do Consórcio Galego de Igualdade e Bem-estar. Os dependentes tenhem muitos deles a prestaçom reconhecida, mas nom som atentidos e só hai 8.000 coidadores dados de alta na Seguridade Social, cobrando os dependentes tarde a sua prestaçom quando no governo anteriro cobravam antes do dia 10. Dos 53.478 dependentes da Galiza som 22.000 as que nom recebem a pestaçom a que tenhem direito. O programa “Jantar na casa” cai agora em grande parte sobre as cámaras municipais como acontece em Chantada, ainda bom que Susana Lopes Abelha é umha flamante e vaidosa secretária de família e bem-estar.

As mulheres deste país seguro que agredeciam mais o fortalecimento da Lei integral contra a violência de género do que o show dos conselheiros com o escárnio e maldizer dos globos o 8 de Março. As vítimas do terrorismo machista levam mais dum ano sem cobrar o salário de liberdade e 50 ficárom sem atender polo despedimento de trabalhadoras em Bem-estar. Fraude de lei, senhor Feijoo, fraude de lei. O PP prefire abaratar-lhe o custo da segunda vivenda aos que podem permitir-se chegar a tal cousa e em prejuízo das rendas mais baixas, mentres aprovam um novo imposto indirecto sobre a auga.

O clientelismo volve com força para acabar de rematar esta terrível diagnose da situaçom da Galiza um ano após a vitória do PP. Eis as moçons de censura de Louzám em Ponte Vedra, eis a teocracia de Baltar II em Ourense e as suas “fichages”. Nada novo sob o sol. Por enquanto falam de austeridade o gasto corrente sobe 2 pontos e os gastos correntes improdutivos assi como o gasto de pessoal subem tamém. O endividamento das contas públicas situa-se em 1.197 milhons de €, mas a sua prioridade é atirar o galego das oposiçons e fazer da TVG o seu coto privado onde só lhe falta ao PP dar o parte metereológico, como lhe lembrava o porta-voz do PSOE.

A língua proletária do meu povo na sua boca sempre vam acompanhadas de valores negativos e, por vezes, até racistas. Porque para o PP o galego empobrece, ainda que logo emporca-lhe as palavras de Castelao e digam que sentem “amor por Galicia”. A Galiza do “ano 10” Equivocam-se. Os que empobrecem o galego som os que enfermos de esquizoglossia paranoide rebaixam o orçamento de Normalizaçom Lingüística num 20% e um 15% para traduçons, “salvo para Castelao e Desván de los Monjes” como lhe lembrava ao PP Aymerich. A RAG paga caro a sua ousadia e tem que volver a ser mansa para recuperar o 30% que perdeu. O mesmo podemos aplicar-lhe às equipas de normalizaçom dos centros. Está claro todos os cartos de normalizaçom para esses jornais “galleguistas de centro moderado” como La Voz de la inmundicia e os empresários “tan gallegos como el gallego” do foro de Vigo.

Podemos condensar todo isto em poucas palavras bem é certo. Chegárom Feijoo e o PP ao governo galego o 1 de Março de 2009?. A resposta já foi antecipada: ni están, ni se les espera. E si senhor Ruiz Rivas, se o pobre de Marx levantara a cabeça...

Santa Cruz de Viana, 17 de Março de 2010.


[1] http://revoltairmandinha.blogspot.com/2010/03/as-mentiras-do-ultraliberalismo-good.html

segunda-feira, 15 de março de 2010

Nacionalismo



Indicava com acerto Jesús Tusón no seu ensaio El lujo del lenguaje que por si soa a palavra nacionalismo era neutra e que precisava de adjectivaçom. No Estado espanhol o nacionalismo espanhol demoniza os discursos nacionais opostos a el, tildando-os de nacionalismo como se eles nom foram nacionalistas.

De facto, o nacionalismo é a idiosincrasia, o argumento e o latejo de cada naçom e desde que o home deixou de ser mono existe a consciência da existência de comunidades ou tribos, embriom das actuais naçons ou nacionalidades. O próprio termo da conservadora constituiçom de 1978 "nacionalidades históricas" ratifica que esses territórios som é fôrom naçons por muito que ao espanholismo lhe doia como dizia Suso de Toro no seu livro Españois todos:

"A acusación xenérica contra 'o nacionalismo' é simplemente propaganda na guerra ideolóxica entre discursos nacionais. Os estados nación teñen un nacionalismo que pretenden invisíbel, din que non son nacionalistas; iso é unha mentira, unha arma dos nacionalismos xa realizados, constituídos en Estado, contra os que aspiran a existir ou medrar. E non che hai mais.

(...)

O nacionalismo é necesario para que exista unha nación, todas e calquera. (...) Todas esas comunidades teñen un discurso nacional que lles dá identidade. E, ademais, digámolo claramente, defenden os seus intereses e recursos como comunidade e, dentro deles, mo sinaladamente, os da súa clase ou grupo dirixente. Detrás de todo nacionalismo, todos, hai, a máis de poesía, unha cartilla de contas".

quinta-feira, 11 de março de 2010

10 de Março dia da CLASSE OPERÁRIA GALEGA


A LEGÍTIMA DEFESA
"Para vós carrascos
o perdom nom tem nome.
A justiça vai soar
o sangue das vidas caídas
nos matos da morte clamando justiça.
É a chama da humanidade
cantando a esperança
num mundo sem peias
onde a liberdade
é a pátria dos homens", Alda do Espírito Santo em É o nosso solo sagrado
da terra.


Sucedeu em 1972. Como recordava o bardo nacional Manuel Maria Amador e Daniel ergueram-se cedo. Amador Rei e Daniel Niebla eram dous dirigentes sindicalistas que em Março de 1972 emprenderam em Bazám umha digna e justa luita por um convénio colectivo que beneficiara aos operários esmagados, onte coma hoje, pola patronal. O dia sete de Março comunicava-se a empresa que o convénio interprovincial ficava assinado, mas a patonal nom podia permitir isto e a luita radicalizou-se quando se concentrárom os operários às portas da factoria o dia nove.
Eram os tempos do sindicalismo de classe que escapava do controlo do sindicato vertical da ditadura nacional-católica. Nom se podia coptar a dignidade dos representantes sindicais, nom era crível a retórica de "menos viajar y más leer periódicos". O Estado ao serviço das elites dirigentes, onte coma hoje, enviou a polícia a fazer o trabalho sujo e os operários resistem. Nessa desigual luita entre a razom e a barbárie e onde caem assassinados Amador Rei e Daniel Niebla ao dirigir-se à Ponte das Pias de Ferrol e outros 16 trabalhadores resultam feridos. E é por isto que hoje, dia 1o de Março, quase quatro décadas após daquel fatídico dia, o sindicalismo de classe voltou manifestar-se no dia da classe operária galega. Hoje coma onte AMADOR, DANIEL, NA RUA A LUITA CONTINUA!

EMBOSCADA
"O dia estranhamente frio
o tempo estranhamente lento
a vegetaçom estranhamente densa
a estrada estranhamente clara
todos estranhamente mudos
placados e estranhamente à espera.

Um tiro
e as rajadas uns segundos
até que estranhamente duro
o silêncio comandou de novo os movimentos.

Talvez fossem homens bons os que caíram
mas cumpriam estranhamente o crime
de assassinar a pátria alheia que pisavam", Costa Andrade em Poesia com armas.



Sucedeu o 10 de Março de 1965. Na paróquia de Belesar, hoje enclave turístico da Ribeira Sacra e umhas das mais formosas paróquias do concelho de Chantada, morria um símbolo aos 51 ano. A polícia abatia ao último guerrilheiro antifranquista. Morria José Castro Veiga, "o Piloto", morria para sempre a II República espanhola. Mas nom morrérom os anseios de liberdade, dignidade e fraternidade da classe trabalhadora. Nom morreu a sua memória e o guerrilheiro venceu umha guerra moral sobre a barbárie do fascismo. Mas a história começa no Corgo em 1915, onde nascia José Castro Veiga que receberia a sua alcunha como conseqüência do seu passo pola aviaçom republicana chegando a cabo. Em 1939 caiu preso coma tantos outros e foi condenado a 30 anos de cadeia, mas por acasos do destino safou-se aos quatro anos pola superpopulaçom dos cárcares franquistas e tornou a Galiza em 1945, onde se integrou na resistência galega. Estendeu o PCE pola orografia galega e a luita armada contra os assassinos da democracia. Desde 1949 actuava só ao desmantelar a polícia a III Agrupaçom de Bóveda... mas essa soidade era relativa... coma todos os síbolos "O Piloto" é parte viva do povo de Chantada e cada dez de Março volta a vista atrás e olha como um ramalho de flores lembra que a dignidade nunca se assassina, que a "semente de vencer" de que falava Castelao é um constante relevo e que nós passaremos mas sempre, sempre, sempre, enquanto o home seja home, haverá alguém disposto a voltar a colher numha mao a fouce e na outra mao a oliva... Nom seria justo esquecer este dez de Março a José Castro Veiga nem a sua companheira Mirelhe.

"Após o ardor da reconquista
nom caírom manás sobre os nossos campos
e na dura travessia do deserto
apreendemos que a terra prometida era aqui
ainda aqui e sempre aqui.
Duas ilhas indómitas a desbravar
o padrom a ser erguido pola nudez insepulta dos nossos punhos", Conceiçao Lima em Descoberta.

Sucedeu tamém o dia dez de Março. Desta volta em 1944. O deputado galeguista e presidente do Conselho da Galiza, já quase cego, Afonso Daniel Rodrigues Castelao dava ao prelo um livro sem o que nom se explicaria o arredismo emancipador galego. Em Bos Aires aparecia o Sempre em Galiza, "bíblia" ainda viva escrita polo companheiro Daniel que descansa em Bonaval, pola desvergonha dos que agora se apropriam do seu nome e atacam o seu ideário. Já sucedera o mesmo em Palestina no ano 31, talvez tamém num dez de Março... quem sabe. Mas os ilotas, os que comem na maséira da sua miséria, tarde ou cedo cairám e será o tempo dos bons e generosos, da utopia que nom morreu nem em Ferrol, nem em Belesar, nem em Bos Aires... porque a utopia é o que nos fai livres e a liverdade necessariamente terá que vencer... "o povo só se salvará quando deixe de ser massa". 1944, parece que foi hoje.





Esquecia-me dum outro aniversário. Sucedeu o onze de Março de 1992. Desde o seu escano do Parlamento José Manuel Beiras saca o sapato lembrando aquel gesto de Kruchev na O.N.U. e o BNG catapulta-se definitivamente como alternativa nacional de esquerdas. Covém lembrar hoje essa image de dignidade do José Manuel Beiras Torrado, histórico dirigente do Bloque Nacionalista Galego e enquadrado na actualidade no Encontro Irmandinho, dando golpes com o seu sapato no escano do parlamento da Galiza porque Manuel Fraga había propujera umha reforma do regulamento da cámara autonómica polo que o direito a réplica ficava praticamente anulado. Beiras naquel momento mostrou o seu descontento, e a dignidade do nacionalismo emancipador galego, a sapataço limpo já que parece increível que numha democracia (apenas formal bem é certo) se negue a possibilidade de expor as posturas políticas de cada grupo nas instuiçons onde teoricamente se dilucida a soberania popular tam cacarejada polos representantes do povo. Tamém onte coma hoje, tamém parece que foi onte.


terça-feira, 9 de março de 2010

8 de Março, as moças galegas o motor do país. Que nom nos parem!!!



04/03/2010

Este é o lema da campanha que a Assembleia de Mulheres da Galiza Nova pom em marcha com motivo deste 8 de Março. A nossa organizaçom pegará cartazes, repartirá colantes e distribuirá um novo Activas, voceiro da Assembleia de Mulheres, centrado na denúncia da situaçom laboral que sofrem as moças galegas, o 125 cabodano da 1ª feminista galega, Rosalía de Castro e um breve recordatório da história destes 100 anos de celebraçom do 8 de Março. Descarrega-o



O BNG da comarca tamém puxo em funcionamento um novo espaço web centrado na mulher e ao que vos remitimos tamém para que colaboredes com o que estimedes oportuno. O endereço do mesmo é: http://mulleresentresileminho.blogspot.com/.


+ Relaçom de artigos recomendáveis sobre feminismo para além dos já citados:











Tamém o vindouro 10 de Março é o dia da classe trabalhadora galega, em comemoraçom do assassinato dos dous trabalhadores Amador e Daniel, o mesmo dia que falecia o derradeiro guerrilheiro da Galiza, tam conhecido por todos os chantadinos: José Castro Veiga, "o Piloto". Nesse mesmo dia contaremos em Chantada com a presença de José Manuel Beiras Torrado.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Entrevista a Carlos Taibo

Carlos Taibo, especialista em geo-política, escritor e novo sócio da AGAL


O professor Taibo tornou-se recentemente sócio da AGAL


Nova tirada de aqui


PGL - Carlos Taibo nasceu em Madrid, de pais galegos, onde é professor titular de Ciência Política e da Administração na Universidade Autónoma. Como foi o teu contato com a língua na distância?

CT - Na casa dos meus pais em Madrid a língua tinha uma presença carateristicamente diglóssica. Mesmo assim, pairava por ali. Além disso, não devo esquecer que eu passei muito tempo na Galiza, fundamentalmente nos verões. Com o passar dos anos, enfim, e já semi-adulto, o contato com o país muito teve que ver com o meu irmão Nacho.

PGL - Quais foram os teus primeiros contatos com a estratégia reintegracionista e quais os argumentos que te levaram a aderir a ela?

CT - Acho que como tantas outras pessoas um dia, há muitos anos, cheguei a conclusão de que era absurdo o isolacionismo geral postulado pelas diferentes instituições galegas. E isso foi assim em certa medida, naturalmente, pelo facto de ampliar sensivelmente, com o passar dos anos, o meu conhecimento relativo à lusofonia. Assim as coisas, os argumentos tinham uma dupla condição: se uns apontavam à identificação de problemas graves na inserção da Galiza no Estado espanhol, outros nasciam da consciência da existência de um espaço comum no mundo lusófono.

PGL - És autor de vários livros sobre a globalização. Em tua opinião, é possível uma variedade linguística existir socialmente se não tem a cobertura de um estado?

CT - É possível, sim. Não acho que a ausência de um estado seja um problema principal, ainda que, naturalmente, se uma comunidade política vive num estado em que os seus direitos mais elementares são violentados, resulta lógico que desenvolva o desejo de dispor de um estado próprio. Mesmo assim, devo confessar que sinto pouca simpatia pelos estados, instituições em que vejo sempre fórmulas autoritárias e imposições.

PGL - Que podemos aprender da Europa do leste relativamente à gestão da sua riqueza linguística?

CT - Nada particularmente estimulante. Muitos dos problemas que temos nós revelam-se também nesses países, com o agregado de encontrar-se estes numa visível idealização das mercadorias políticas e culturais que vêm do mundo ocidental.

PGL - Falando em estratégias e tácticas, qual achas que deviam ser os guias do movimento reintegracionista?

CT - Suponho que uma prioridade central e ter 'sentidinho'. A nossa tarefa principal deve ser a vinculada com uma pedagogia crítica que permita salientar as evidências. Em qualquer caso, o facto certo de a língua da Galiza estar em situação muito delicada não é argumento bastante para adiar a reivindicação da reintegração linguística e cultural com o mundo lusófono.

PGL - Que visão tinhas da AGAL, que te motivou a te associares e que esperas dela?

CT - Creio que a tarefa da AGAL tem sido durante anos heroica. Basta com olhar o listado das suas publicações para perceber que na Galiza existe, afortunadamente, uma cultura resistente que não é subvencionada.

PGL - No mês de março vai sair do prelo um livro de Carlos Taibo com o selo da Agal, Através editora. Será uma grande surpresa para as pessoas que seguem a tua trajetória, não achas?

CT - Talvez. Mas devo confessar que não escrevi o libro sobre Pessoa –isso é: um volume de ensaios sobre as vidas do poeta-- para surpreender ninguém. Era uma dívida pessoal que eu tinha com Pessoa e que, acho, ficou razoavelmente pagada.

PGL - Recentemente publicamos no PGL um artigo de Matias Escalero a respeito do Projeto Burela, um de cujos responsáveis é Bernardo Penabade. O professor Moreno Cabrera tem-se destacado pola sua defesa de um plurilinguismo real e em igualdade de condições no Reino de Espanha. São dous casos de cidadãos castelhanos a oferecer uma atitude diferente daquela que estamos habituados. São casos isolados ou está a haver uma pequena movimentação?

CT - São infelizmente casos isolados. Mesmo assim, cumpre fazer um esforço de pedagogia na certeza de que em Castela há muita gente capaz de compreender os problemas da 'periferia' peninsular.



Conhecendo Carlos Taibo




Um sítio web: www.decrecimiento.info

Um invento: a imprensa

Uma música: 'Os índios da meia praia', de Zeca Afonso

Um livro: 'A conquista do pão' de Kropotkin

Um facto histórico: as coletivizações libertárias durante a guerra civil em Espanha

Um prato na mesa: o arroz à cubana

Um desporto: o ciclismo

Um filme: 'Terra e liberdade', de Ken Loach

Uma maravilha: a vida

Além de galego: cidadão inquieto dum planeta que se vai

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A CHANTADA QUE AÍ VEM: política social e ecológica ou delírios de grandeza? A disjuntiva entre umha Chantada viva e umha Chantada morta e o projecto

Vem-se debatendo muito nos últimos tempos sobre a necessidade de reformar o financiamento local, esquecendo deliberadamente que isso deve ir da mao dumha revisom profunda do ámbito competencial das cámaras municipais, para dumha banda equilibrar os serviços prestados com o marco financeiro disponível e, pola outra, equilibrar o nível competencial das nossas cámaras municipais com as do nosso entorno europeu. Mas, isto é muito cavilar para os que só nos vendem auga-de-bacalhau cada quatro anos. O BNG chantadino tem a vontade e determinaçom de mostrar que o concelho de Chantada tem futuro, que existe umha outra forma de fazer política e que a instáncia política é património dos cidadás e das cidadaos e nom de castes políticas fechadas.

No pleno de hoje debateu-se em quê é que imos gastar o Plano E, mas esse debate vai mais alá e insire-se na disjuntiva de advogar por umha Chantada viva e de futuro ou por umha Chantada morta envelhecida e sem porvir. Para entender até onde alcança este debate som necessárias algumha noçons prévias e é necessário entender que nem a direita chantadina nem o pseudosocialismo tenhem um projecto de calado para Chantada , porque só enxergam a política como um meio de exercer o poder polo poder e isso é com o que nós queremos rachar, sempre com o indispensável apoio da sociedade civil da vila. Eis a Chantada que aí vem feita por e desde a classe trabalhadora e ao serviço da maioria, da cidadania.

Na actualidade o gasto público das cámaras municipais do Estado espanhol representa apenas 11% do total, que se eleva até 13% se incluímos as deputaçons, as áreas metropolitanas e as comarcas. A futilidade das deputaçons a dia de hoje nom oferece discussom e a necessidade de reagrupar pequenas entidades locais em estruturas comarcais deveria ser um debate que encetaram com esforço e generosidade todas as agrupaçons políticas polo simples benefício da cidadania.

Noutros países o gasto das cámaras municipais é muito superior ao nosso, em consonáncia com a natureza destas entidades, fornecedoras de serviços públicos vitais e próximos à cidadania. Nos tam doestados, por norma, EUA o gasto municipal é muito superior ao nosso atingindo 26%, face 16% do Canadá e 22% da Suíça. Tamém o Estado espanhol fica muito por baixo na tipologia do gasto, o qual é tanto ou mais grave para o bem-estar dos cidadaos – já por nom falar do deficit democrático das cámaras municipais sem apenas participaçom cidadá salvo excepçons a imitar como Marinaleda –.

No concernente à tipologia do gasto social o Estado espanhol fica por baixo da meia dos países da OCDE quanto a sanidade, educaçom e protecçom social. A educaçom representa apenas 4% do gasto total das cámaras municipais de todo o Estado enquanto nos EUA e no Canadá representa mais de 40%, na Suíça 23% e a meia da UE é o 20%... aqui tamém estám muitas chaves para entender porque umha sociedade rica nom tem porque ser necessariamente umha sociedade avançada. A estrutura deste gasto social, que o arredismo chantadino organizado no BNG tenta inçar e converter na sua bandeira nesta legislatura e nas vindouras (junto a democracia participativa e horizontal), nos município espanhóis é o que a seguir se descreve: 46'1% seguridade e protecçom social, educaçom 26'5%, promoçom social 19'6% e sanidade 7'6% variando os dados bastante dumhas a outras CC.AA dependendo a orientaçom ideológica dos governos, populaçom e dispersom, envelhecimento, emigraçom... e todo isto num Estado espanhol onde o gasto público, cada vez mais recurtado, nom chega a 40% quando o francês é de 53% e o da Suécia de 56%, mas tampouco som comparáveis as luitas sociais desses povos com a passividade e submissom da Galiza.

O sofisma da necessidade de inçar a idade de jubilaçom e o período de cotizaçom polo envelhecimento revela até que ponto estamos alienados e desarmados perante o pensamento único ultraliberal, que caminha para a queda do welfare state e para umha sanidade (hospital de Monforte), umha educaçom (Plano Bolonha) e um sistema de pensons privados e, por ende, privativos para cada vez mais capas sociais.

O racismo e a xenofobia galopantes, insuflados polo nacionalismo ultramontano espanhol do PP e UPyD com consentimento do PSOE, som a máxima mostra da desorientaçom e falta de massa crítica formada, já que precisamente os emigrantes som os que podem reverter este processo. Em França a taxa de natalidade inverteu-se e superárom já esta eiva, mas nom mediante ridículos cheques-bebés, mas com subvençons intensas às famílias com mais de dous filhos e na Suécia a conciliaçom familiar e laboral é autêntica, como em Marinaleda (Andaluzia) onde a guardaria mais o serviço de comida das crianças tam só vale 12€ ao mês, num concelho com pleno emprego e um modelo de socialismo libertário onde ter umha vivenda custa 15€/mês.

Porém o modelo de Marinaleda é um modelo assemblear onde os cidadaos som os que decidem e nom umha caste política que nom consulta para nada aos seus votantes. Eis a Chantada que aí vem, orientada para atingir políticas sociais e serviços públicos sem limites e para a auto-organizaçom da cidadania convertendo paulatinamente a cámara municipal num ente aberto e participativo onde seja a sociedade a que decide em quê se investe e para quê se fai. A criaçom dumha assembleia aberta veiculizada polas associaçons vezinhais, culturais e os movimentos sociais sem exclusons deve ser o alvo fundamental que centralize o nosso ambicioso e revolucionário projecto de participaçom cidadá. Queremos umha democracia radical e autêntica e nom imos deter-nos até convertê-la numha realidade. A nossa proposta da Chantada que aí vem exige décadas de esforço comum, mas nom renunciamos a poder convertê-lo numha realidade.

No momento actual discutem-se os alicerces deste futuro. O PSOE advoga por um Gaiás chantadino, por um projecto faraónico que eiva as políticas sociais para destinar todo o Plano E simplesmente para um novo edifício consistorial que nem gera emprego, nem cria um concelho sustentável, nem se volta obstinadamente para atender as necessidades dos mais desfavorecidos. Perante isto, a proposta da equipa de governo do BNG é a proposta do sentido comum para investir os fundos do Plano E em várias dimensons complementares e nom num projecto megalómano para um concelho cada vez mais envelhecido e depauperado:


1.- Edifício municipal de uso cultural, (multiusos), que nom é um simples e questionável auditório, mas o remate do actual anexando um edifício que seriam os camerinos e os armazéns do auditório e poderia-se usar como local para actividades culturais e local de uso para os movimentos sociais e as associaçons. O orçamento necessário para este projecto é de 546.952 euros.


2.- Aforro energético com um orçamento de 303.358 euros e voltado para um concelho mais sustentável:

a.- Melhora do isolaciamento e instalaçom solar térmica no Pavilhom: 245.421 euros. Implementaria-se um sistema de aquecimento da auga aforrando combustível e reduzindo as emissons de CO2, diminuindo o emprego de energia sem restar eficiência promovendo a sustentavilidade ecológica, económica e energética. O isolacionamento do Pavilhom criará um edifício energeticamente eficiente tendendo para a supressom da energia nom renovável e fazendo um uso mais racional e eficiente da mesma. Um paradigma de futuro sustentado em feitos, e nom em retórica, para agir com respeito ao troco climático desde o local.

b.- Melhora e reduçom do gasto energético nos alumiados públicos das paróquias de Laxe e Requeixo: 57.963 euros. As novas luzes LED apenas necessitam mantemento a diferença das actuais e suponhem um aforro energético e económico, com umha autonomia de 50.000 horas, quer dizer, cinco vezes a das lámpadas convencionais.


3.- Gasto social com um orçamento de 131.927 euros e orientado para a prestaçom de serviços para melhorar as condiçons de vida das vizinhas e vizinhos do nosso concelho e para afundar nas políticas sociais mália os recortes sofridos nas partidas orçamentares da nova Junta ao serviço dos interesses do grande capital:

a.- Educaçom familiar: 5.598 euros

b.- Ajuda no fogar: 79.622 euros. Este serviço começou em 1991 com três auxiliares e tem atingido na actualidade 7 para os usuários de livre concorrência, outros 4 para a atençom das pessoas dependentes, infelizmente cada vez mais numerosas e umha auxiliar mais através dos programas de cooperaçom com a Conselharia de Trabalho e que remata contrato no mês de Março sem que a nova Junta se tenha pronunciado ao respeito, mas em vendo as suas últimas actuaçons muito nos tememos que... Susana Lopes Abelha (PP) comunicou que as ajudas da nova Junta para ajuda no fogar som de 49.208€, ou seja, 38.000€ menos que o oferecido polo anterior bipartido. Se esta é a sua austeridade mentres outorgam prevendas às hidroeléctricas, as construtoras e a Pescanova apaga e vamo-nos. O Plano E é umha oportunidade imensurável para passar por cima destes atrancos e bater-lhe nos focinhos aos senhoritangos e caciques da vila.

Os 306.181'54€ orçamentados pola Conselharia de Bem-estar encabeçada por Ildefonso Pinheiro som a base para fazer realidade a política de in-dependência acompanhando a legislaçom com a imprescindível designaçom de recursos.

c.- Orientaçom, assessoramento e informaçom: 34.707 euros

d.- Pedologia a domicilio: 12.000 euros, um serviço que a Junta e a Secretária de Família e Bem-estar, Susana Lopes Abelha, decidírom que nom entrava nas ajudas às cámaras municipais, mas que o BNG quere manter e até incrementar de acordo aos princípios que marcam a nossa óptica de esquerda. Por isso, imos ir mais alá e advogamos pola instauraçom do programa Jantar na Casa e pola prestaçom de serviços de fisioterapia a domicílio. Isto nom só som serviços sociais para para os nossos maiores, mas tamém oportunidades laborais para o estudantado chantadino pondo freio à sangria migratória e o conseguinte brain drain da mesma.

Em definitiva, resulta meridianamente claro o que expujo Ildefonso Pinheiro no pleno de hoje:


“Como vem, sem quartos é difícil levar a cabo nengum tipo de objectivo. Esta falha de recursos fai-se especialmente grave nos Concelhos medianos que prestam todo tipo de serviços, como as grandes cidades, mas que nom tenhem transferências económicas por parte das Comunidades Autónomas para gestioná-los. A Cámara Municipal de Chantada empresta serviços desportivos, escola infantil, centro-de-dia, ajuda no fogar, piscinas, serviços de Abastos, etc, etc... que nada tenhem que invejar aos emprestados em concelhos com dez vezes mais de orçamento”.


Eis a Chantada que aí vem, eis as razons para acreditar na transformaçom da sociedade mediante a luita e a esperança, eis um projecto eficiente e de esperança que requere de toda a vossa força e apoio para poder sair avante e fazer do nosso concelho um lugar plural, sustentável, democrático do que sentir-se orgulhoso e em constante transformaçom e avance. Eis a nossa proposta que com valentia e fachenda apresentamos para a conseqüiçom dumha Chantada viva.